Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

terça-feira, 2 de maio de 2017

TM Warning no ESPN League




UPDATE: Infelizmente não participarei mais do programa essa sexta feira. Tentaremos rearranjar os horários para uma data futura. Desculpem o inconveniente.

Bom pessoal, uma novidade interessante para essa semana: essa sexta feira, dia 05/05, estarei nos estúdios da ESPN para participar do ESPN League dessa semana.

Então para quem quer me ver falando na TV sobre basquete e o que mais aparecer pela frente, pagar mico em rede nacional (vocês sabem que vai acontecer), e de modo geral prestigiar essa inciativa muito legal do League que tem convidados MUITOS blogueiros de alto nível (Luis Araujo, do Triple Double; as meninas do NFL Luluzinha; o pessoal do HBNSB; a dupla Gustavo e Gustavo do Jumper Brasil; para citar alguns) para participar do programa e enriquecer a discussão.

Espero que todos gostem da participação, e um agradecimento especial ao Marcus Vinicius, produtor do League (e cidadão muito gente fina) pelo convite!

sábado, 29 de abril de 2017

Prêmios da Temporada 2016/17 da NBA - Parte III

A tranquilidade no olhar de quem ganhou um prêmio no TM Warning


Se você está chegando agora: sim, o Two-Minute Warning está de volta!!

E é hora de fechar de vez nossa cobertura da temporada regular 2017 da NBA antes de mergulhar de vez nos playoffs - que aliás estão ótimos. Tirando as duas varridas (e uma delas, de Cleveland, bem mais difícil do que parece pelo placar final) e mais OKC-Houston, todas as séries dessa primeira rodada estiveram empatadas em 2-2 em algum momento. Então não falta assunto. Mas, antes de entrarmos de cabeça nisso, primeiro vamos terminar a cobertura prometida dos Prêmios de Fim de Ano da NBA.

Para quem perdeu, nós começamos essa cobertura falando dos prêmios individuais da temporada da NBA. Ou seja, foi uma coluna inteira discutindo os seis prêmios individuais do basquete: Defensive Player of the Year, Rookie of the Year, Coach of the Year, 6th Man of the Year, e Most Improved Player... e claro, a tão discutida e debatida disputa pelo prêmio de MVP.  Simplesmente não me foi possível não dar meus palpites e minha visão em uma questão tão debatida, e foram 8.000 palavras explicando meu ponto de vista.

Depois, semana passada, falamos dos Times Ideias da Temporada - ou seja, os três First Teams All-NBA, os dois All-Defense Teams, e os dois All-Rookie Teams, uma visão geral sobre a temporada no formato desses prêmios.

Então nossa cobertura acaba hoje, com a terceira parte desse Especial: hora de falar dos prêmios "alternativos" da temporada.

Ou seja, esses são prêmios que realmente não existem. Mas isso não me parece um motivo bom o suficiente para não falarmos a respeito deles. Qual o problema de criar mais uns prêmios e gerar mais uns debates instrutivos e/ou divertidos? Não é exatamente uma grande novidade. Meu site favorito, o Bola Presa, tem seus próprios prêmios alternativos de temporada, e outro dos meus escritores favoritos, Bill Simmons, também já deu suas próprias sugestões de prêmios "novos" para a NBA.

Então é hora de criar os meus próprios. Vamos ver quem vence cada um deles - e aliás, estou totalmente aberto a sugestões para novos prêmios alternativos. É só deixar nos comentários.

Parte I: Prêmios individuais da temporada
Parte II: Times ideais da temporada
Parte III: Prêmios alternativos

Let's rock.


Drazen Petrovic Award - Melhor Jogador Estrangeiro



Um dos prêmios criados pelo Bill Simmons, o Drazen Petrovic Award foi concebido pelo Simmons como um prêmio para homenagear o melhor jogador europeu da temporada e, ao mesmo tempo, honrar a memória de um dos pioneiros no influxo de jogadores estrangeiros, o genial Drazen Petrovic, jogador de Blazers e Nets que faleceu cedo demais em um acidente de carro (para quem tiver interesse, recomendo o documentário Once Brothers, da série 30-for-30 na ESPN).

O Drazen Petrovic Award que eu roubei adaptei é um pouco diferente: hoje a NBA tem uma diversidade muito maior para limitar essa premiação (criada em 2005) a apenas jogadores estrangeiros europeus. A NBA é uma liga global: temos jogadores asiáticos, africanos, sulamericanos, central-americanos, Australianos, Neozelandeses... para honrar essa diversidade e esse momento, o prêmio Drazen Petrovic do TM Warning não premiará apenas o melhor Europeu, e sim o melhor jogador que não seja dos Estados Unidos.

E sim, eu sei que isso abre margem a todo tipo de polêmica e interpretação: Kyrie Irving nasceu na Austrália, mas joga pela seleção dos Estados Unidos. Ele é qualificado para o prêmio? Então eu criei um critério muito simples: é elegível para o prêmio quem eu achar que é. O prêmio é meu, o site também, então eu que mando. Me processem.

E o legal desse prêmio é que, com a globalização da NBA, nós hoje temos um volume maior do que nunca de bons jogadores estrangeiros, incluindo algumas verdadeiras estrelas para assumir a tocha deixada por caras como Steve Nash e Dirk Nowitzki (dadas as devidas proporções, claro). Dois jogadores entraram no meu 2nd Team All-NBA (Giannis e Gobert), e um terceiro (Marc Gasol) entrou no 3rd Team. Goran Dragic poderia facilmente ter entrado em um ano menos competitivo. Karl Anthony Towns e Jokic são duas das mais jovens e promissoras estrelas da liga. Andrew Wiggins ainda é um jovem de enorme talento, e Embiid vai dominar a NBA se um dia conseguir ficar saudável. E isso sem falar nos jogadores que podem não ser estrelas, mas são jogadores titulares de bom nível, como Tristan Thompson, Ricky Rubio, Danilo Gallinari, Steven Adams, Al Horford; ou mesmo jovens talentos promissores, como Buddy Hield, Jamal Murray e Dario Saric. O futuro do Drazen Petrovic Award promete.

E se Nash e Nowitzki dominaram o Petrovic pela década passada, e a década de 2010 já viu mais competitividade (com vitórias de caras como Tony Parker, Marc Gasol e Joakim Noah), parece que estamos vendo o surgimento de outro cara para dominar esse prêmio por anos em Giannis Antetokounmpo. Eu já falei demais sobre o grego nas colunas passadas, então não vou me prolongar demais no assunto, mas sua emergência como uma estrela foi um dos assuntos mais interessantes do ano, e embora o Drazen Petrovic seja um prêmio de temporada regular, Giannis está tendo também um grande destaque na pós temporada. É possível que essa ascensão meteórica de Antetokounmpo acabe tornando esse prêmio redundante para os próximos anos, mas por enquanto o grego aparece como a melhor opção em um ano absurdamente forte para esse prêmio.

Ballot final: 1. Giannis Antetokounmpo; 2. Rudy Gobert; 3. Marc Gasol; 4. Karl-Anthony Towns; 5. Nikola Jokic.



Steve Nash Award - Jogador Mais Divertido




Outro dos prêmios alternativos criados pelo Bill Simmons foi o Doc J Award para o jogador mais empolgante da temporada, homenagem ao lendário Julius Erving, famoso por suas enterradas e por ser de longe o jogador que as pessoas mais queriam assistir na NBA (e na ABA também).No entanto, depois de pensar a respeito, eu decidi mudar esse prêmio de "Jogador Mais Empolgante" (ou exciting, no original) para "Jogador Mais Divertido". Nessa época de internet, redes sociais, Twitter, GIFs e Vines (RIP), tudo que é "Excitante" ou "Empolgante" vai parar muito rápido na nossa frente e é repetido dezenas de vezes. Qualquer enterrada, game-winner, jogada de efeito ou algo assim já fica muito exposta, então não tem muito sentido realmente dar um prêmio e escrever uma coluna a respeito.

Então eu mudei um pouco e coloquei o prêmio para o jogador mais divertido, por um motivo parecido: se ficou fácil demais para nós vermos as jogadas mais empolgantes no dia a dia, esse excesso de exposição, a facilidade de ver todos os jogos ao mesmo tempo e o fácil acesso a dados e estatísticas, acabou ficando menos significativo a totalidade do jogo de um jogador. E isso inclui a experiência de assistir aquele jogador: Steve Nash dava passes fabulosos que iam parar em qualquer vídeo de highlights, sem dúvida, mas não é só por isso que ele é meu jogador favorito. Seu jogo envolvia todo tipo de inteligência em quadra, visão de jogo, velocidade, movimentação de bola, e um monte de coisas que faziam de assistir cada minuto dele em quadra uma experiência divertida. Então eu preferi adaptar esse prêmio - e elogiar meu jogador favorito no processo.

Esse ano, Russell Westbrook é um bom exemplo do que diferencia o Doc J Award do Steve Nash Award. Se o prêmio fosse o Doc J, Westbrook seria o único candidato possível. Ninguém nessa temporada consegue igualá-lo no quesito "jogador mais empolgante": sua enterradas fantásticas, jogadas impossíveis, números impossíveis, suas sequências de total dominação, os jogos absurdos nos quartos períodos para virar partidas quase sozinho, tudo isso fez de Westbrook o jogador mais polarizador da temporada e aquele que mais nos fez mudar de canal para assistir algum momento empolgante. Ninguém esse ano evocou mais esse sentimento de "Meu deus eu preciso ver isso!" do que ele.

Mas ao mesmo tempo, eu não realmente achava divertido assistir Westbrook jogar. Em meio a todos os momentos absurdos, jogadas fantásticas, enterradas impossíveis e demonstrações sobre-humanas da sua capacidade atlética, tinha um número absurdamente grande de jogadas estagnadas, arremessos forçados, muitos lances de um único jogador driblando sem propósito, e por ai vai. E assistindo aos jogos, esses lances são a maioria, de forma que a experiência de assistir aos melhores momentos de Westbrook era fantástica, mas assisti-lo jogar consistentemente não era nem de longe tão divertido. Essa é a vantagem dos highlights: eles tiram a parte ruim e nos deixam apenas com a parte boa, que é o que a grande maioria dos fãs de esportes quer ver. Mas a minha ideia nesse prêmio não é essa: é premiar o pacote completo.

Esse prêmio então vai para o novo queridinho da NBA, Nikola Jokic. Jokic é um dos melhores passadores da NBA, e sem dúvida é a parte do seu jogo que mais chama atenção e aparece em todos os highlights. Sério, olha esse vídeo...



E esse...



Ai ai...

Onde estávamos? Ah sim, Nikola Jokic. Embora seus passes realmente sejam a cereja do bolo e ponto alto dos jogos de Denver, assistir Jokic é uma experiência muito boa do começo ao fim porque existe muito mais acontecendo do que só isso. Suas habilidades de passe abrem um novo mundo de possibilidade para Jokic e para o resto do time -  de repente todo mundo está correndo em transição, fazendo o passe extra, jogando fora da bola SABENDO que caso se desmarque o passe virá (o exato oposto do que via com OKC as vezes, por exemplo). Parte do jogo de um jogador é como ele afeta seus companheiros, e Jokic se tornou o maestro de uma fantástica sinfonia que foi o melhor ataque da NBA depois que o sérvio virou titular.

E a verdade é que tem algo em Jokic que eu adorava em Manu Ginobili em outros tempos: tudo no seu jogo parece um pouco diferente do resto. Até a jogada mais simples - uma bandeja, um corte para a cesta - parece acontecer de forma diferente, em um ritmo diferente dos demais. Suas mudanças de decisões em frações de segundo NO MEIO DA JOGADA, suas bandejas e passes, seu hábito de pegar a bola e fazer a jogada toda com uma mão só que já ganhou comparações a um jogador de Polo Aquático. As vezes parece até que o cérebro de Jokic funciona mais rápido que seu corpo, e acaba causando alguma descoordenação... até que você percebe que isso também abriu um ângulo que ninguém mais enxergava para uma bandeja com uma mão só. Eu adoro assistir esses jogadores - eu vejo basquete faz mais de 13 anos, e adoro quando aparece alguém que me faz perceber que ainda existem coisas novas para se descobrir na quadra de basquete. Para mim, não houve jogador mais divertido de assistir em 2016/17 que Nikola Jokic.


Ballot final: 1. Nikola Jokic; 2. Giannis Antetokounmpo; 3. Isaiah Thomas; 4. John Wall; 5. Ricky Rubio.



League Pass Award - Time mais divertido



Se temos um prêmio para o jogador divertido, nada mais justo que para o time mais divertido também tenha. Qual é o time que mais da gosto assistir? Qual é aquele time que é garantia no seu League Pass todas as vezes que ta em quadra? 

Infelizmente, no entanto, aqui não vamos ter novidade: o atual bicampeão do prêmio, o Golden State Warriors, leva esse ano de novo.

Se Golden State levar o título esse ano, eu prometo escrever uma coluna muito mais detalhada e indo muito mais a fundo a esse respeito, mas assistir a Golden State esse ano foi uma experiência fantástica por dois motivos diferentes. Um, claro, é nível de jogo. Eles são simplesmente bons demais. Objetivamente, o time é tão bom quanto, senão melhor, que o que ganhou 73 jogos ano passado (o saldo de pontos foi melhor, inclusive). Eles perderam profundidade, mas adicionaram um dos 3 melhores jogadores da NBA e ficaram mais versáteis. E além da excelência, que sempre é divertida, Golden State joga em um estilo particularmente divertido, muito veloz, inteligente, cheio de passes, jogadas de efeito, trocas de posição e simplesmente um excesso de grandes jogadores.

Mas esse é um aspecto, curiosamente, que Golden State foi inferior ao que foi nas últimas duas temporadas. Seu estilo esse ano foi, embora ainda criativo e brilhante, um pouco mais pragmático e eficiente - algo bom do ponto de vista prático, mas perdendo em entretenimento. Entretanto, Golden State também passou esse ano por difíceis adaptações e mudanças para lidar com sua nova superestrela, e ISSO foi uma parte muito divertida da sua temporada. Tanto na parte de adaptação, como depois de adaptado ver Golden State mudando facilmente entre esses diferentes estilos, isso propiciou uma diversão única essa temporada, e ver esse tipo de coisa sendo feita por jogadores do nível de Klay, Curry, KD, Draymond, Iguodala e cia foi um prazer especial para um nerd de basquete que nem eu.

Foi mal para o resto da NBA, mas não existe nada tão divertido quanto GSW nos seus melhores dias.

(Ps. Miami Heat foi #2 do meu ballot e acabou caindo por causa da primeira metade da temporada, que foi muito ruim. Mas contando apenas a segunda? #2 fácil).

Ballot final: 1. Golden State Warriors; 2. Washington Wizards; 3. Denver Nuggets; 4. Houston Rockets; 5. Miami Heat


LVP - O Jogador Menos Valioso

Brincadeira, brincadeira!

O engraçado desse prêmio é que quando eu falo no Jogador Menos Valioso, as pessoas confundem com "pior jogador da NBA" e começam a falar jogadores do fundo do banco que raramente entram em quadra. Mas você não pode ser o jogador menos valioso se não está entrando em quadra e efetivamente atrapalhando seu time: muita gente gosta de falar mal do Kyle Singler, por exemplo, e realmente ele não é muito bom. Mas Singler só jogou em 32 jogos e 385 minutos, sendo a maioria deles garbage time - quanto ele realmente prejudicou OKC nesse tempo? Bem pouco. Então eu não quero um jogador ruim, eu quero um jogador que tenha genuinamente prejudicado seu time na temporada por existir, seja por jogar mal, seja por forçar alguma mudança coletiva da sua equipe que foi custosa.

E o vencedor desse prêmio, para mim,  não pode ser outro senão Andre Drummond. 

Isso pode parecer estranho para um jogador que teve média de 13.2 pontos e 13.6 rebotes por jogo, com 1.1 toco e 1.5 roubos de bola, e 53 FG%. Mas assistir a Drummond era o exato oposto do que os números superficiais indicam. Em seu quinto ano de NBA, o pivô parece ter involuido de forma impressionante. Drummond ainda vai pegar um monte de rebotes e ter seus jogos de 20 pontos, 20 rebotes, mas seu jogo simplesmente estagnou e começou a contagiar todo seu time. Sua defesa é simplesmente um desastre: apesar de todo seu tamanho, força e capacidade atlética, Drummond é um dos piores defensores da NBA inteira, inclusive sendo 54th entre 59 defensores qualificados em proteção de aro. É um festival de posicionamento errado, más decisões, leituras ruins que fazem de Drummond ser uma âncora defensiva em um significado muito mais literal do que Detroit gostaria.

Ofensivamente, sua falta de jogo ofensivo também começa a cobrar seu preço conforme times ficam cada vez mais conhecedores de como defendê-lo. Drummond não consegue fazer nada além de pegar a rebotes ofensivos e dar enterradas: não tem jogo de costas para a cesta, não é um bom passador, não ataca o aro batendo bola, não arremessa, e mesmo quando pega a bola mais longe do aro tem dificuldade de botar a bola no chão e tomar uma decisão. E mesmo quando está perto do aro, sua falta de lance livre (38.6%) faz com que seja uma opção muito fácil descer a mão em Drummond e enviá-lo para a linha do lance livre.

Parte disso é culpa do elenco ao seu redor, mas do jeito que está hoje, Drummond não contribui em nenhum dos lados da quadra em bom nível, e o time ao seu redor sente isso. Sua falta de contribuição defensiva faz Detroit ter uma hemorragia de pontos quando está em quadra (108.4 Defensive Rating), e ofensivamente o time também fica estagnado, esperando o pick and roll entre dois jogadores limitados (Drummond e Reggie Jackson) render alguma coisa, e congestionando o garrafão para o resto da equipe quando o ataque não passa por ele. Não é a toa que Detroit foi um horroroso -6.3 por 100 posses de bola com seu pivô em quadra, e um ótimo +4.6 sem ele. Drummond ainda é jovem e pode evoluir, mas esse ano não sei se teve algum jogador que mais prejudicou seu time na NBA.

(Menção honrosa para Dwight Howard, que jogou bem pelo Hawks esse ano e por isso não é elegível para o prêmio, mas parece sempre afundar seus times por onde passa nos últimos anos. Será coincidência que o Rockets voltou a ser um dos melhores da NBA quando ele saiu?)

Ballot final: 1. Andre Drummond; 2. Joakim Noah; 3. Jeff Green 4. Emmanuel Mudiay; 5. Brandon Knight.


Prêmios Relâmpago

Aqueles prêmios que não são suficientes para serem regulares de todas as temporadas, mas fazem sentido para a temporada 2017 da NBA. Se fizerem sentido e/ou sucesso, podem acabar virando prêmios regulares - essa ainda é uma lista em desenvolvimento. Aceito sugestões!

Pior tank da temporada: Los Angeles Lakers

Los Angeles começou o ano até que bem, com uma campanha de 10-10 nos primeiros 20 jogos com um núcleo jovem, um estilo de jogar que imitava o Warriors, um banco muito divertido, e Lou Williams fazendo coisas de Lou Williams. Até que tudo caiu por terra: lesões atrapalharam toda a rotação de Luke Walton, os times começaram a aprender a forma de enfrentar o time, e a boa e velha regressão para a média atingiu com força. Los Angeles imediatamente perdeu 14 dos próximos 17 jogos e se tornou o pior time da NBA (terminaram o ano com o pior Net Rating da liga).

Mas isso não era uma coisa ruim: o Lakers não ia para os playoffs mesmo, e sua escolha de Draft esse ano é apenas protegida Top3. Ou seja, se o Lakers não tiver uma das 3 primeiras escolhas do Draft, essa escolha vai para Philadelphia. E para piorar, se essa escolha for para Phily, o Lakers TAMBÉM perde sua escolha de primeira rodada de 2019 para o Magic, por conta da troca do Dwight Howard em 2012. Então era fundamental para o futuro do Lakers ser ruim e ficar com uma campanha que permitisse ao time ter uma das maiores chances de manter essa escolha na hora do sorteio.

E parecia estar tudo dando certo: Los Angeles chegou na reta final da temporada com a segunda pior campanha da NBA (obrigado, Nets!), e uma chance de 55% de manter sua escolha de Draft... até que o time venceu 5 dos seus últimos 6 jogos da temporada naquele momento do ano onde ninguém está mais realmente jogando a sério, passou o Suns na classificação, e viu suas chances de manter as escolhas despencar para 46%. E foi hilário, porque o Lakers tentou de tudo para continuar perdendo: colocou os veteranos de férias mais cedo, colocou os principais garotos no banco, criou lesões, usou os jogadores mais obscuros, contratou jogadores sem time... e não adiantou, o fundo do banco do Lakers continuou ganhando jogos enquanto os torcedores se descabelavam. Se Los Angeles perder suas escolhas, esses seis jogos podem assombrar os fãs do Lakers por muitos anos.


Time que mais decepcionou na temporada: Minnesota Timberwolves

Em retrospecto, a culpa pode ter sido mais nossa por termos colocado expectativas erradas em cima desse time. Era um time jovem demais, com um técnico novo cujo estilo (e eu falei isso na época) não era um encaixe muito fácil, profundidade questionável e jogadores ainda um tanto quanto unidimensionais.

Ainda assim, Towns dominou como calouro, Kris Dunn era um calouro muito bem cotado, Wiggins uma ótima segunda estrela, e Thibodeau um técnico renomado. Muita gente tinha Minnesota chegando nos playoffs, e até mesmo ganhando 50 jogos. E logo ficou bem claro que não seria o caso, porque absolutamente nada deu certo nesse time. A defesa foi uma peneira, Towns não conseguiu realmente canalizar seus talentos para o time, e o elenco logo mostrou suas limitações. Minnesota acabou ganhando 31 jogos na temporada, e vai para mais uma loteria. 

Ainda que seja exagerado cobrar demais de um time tão jovem (e Minnesota TEVE uma grande sequência na temporada onde mostrou um pouco do seu potencial, logo depois do ASG), e mais uma peça da melhor loteria dos últimos 10 anos seja algo bom, a verdade é que a essa altura todo mundo esperava ver algo a mais desse núcleo. A falta de evolução não preocupa, mas incomoda. Mesmo que nossas expectativas tenham sido um problema, elas vinham de algum lugar, e Minnesota mais uma vez falhou em cumpri-las.


Maior desastre da temporada: New York Knicks e Sacramento Kings 

Nosso primeiro prêmio dividido. Eu preciso explicar essa? 


Melhor história da temporada: Milwaukee Bucks

Eu pensei em dar esse prêmio para o Westbrook e o Thunder, por terem se mantido vivos mesmo perdendo Durant e possivelmente faturando um prêmio de MVP no processo. Mas o Bucks também merece crédito: depois de perder seu segundo melhor jogador, Khris Middleton, antes da temporada começar, todo mundo deu Milwaukee por morto e declarou que seria um ano perdido para a franquia. 

Mas Giannis deu um salto de produção, algumas novas adições pareceram encaixar, John Henson começou bem o ano, Malcolm Brogdon se mostrou uma ótima escolha... e mais importante, Jabari Parker começou a parecer a estrela que todos esperavam quando foi escolhido no Draft, e logo emergiu como o segundo melhor jogador do time. Milwaukee começou o ano muito bem, e parecia que afinal das contas o time teria algo a fazer esse ano, garantindo seu lugar no meião do Leste.

Então Jabari Parker machucou o joelho e ficaria de fora o resto da temporada, no que parecia a segunda sentença de morte para o Bucks na mesma temporada... só que dai Middleton voltou jogando em altíssimo nível, Giannis deu um salto de "grande jogador" para "futura superestrela", Greg Monroe se reinventou como um sólido defensor e ótimo jogador de banco, o promissor mas cru Thon Maker teve bastante sucesso entrando como titular, e o Buck fez uma corrida final improvável para saltar da nona posição no Leste até fechar o ano em sexto e garantir uma vaga nos playoffs.

Milwaukee acabou perdendo em 6 para Toronto e se despediu dos playoffs, mas acho que nenhum time sai desse ano com mais otimismo que o Bucks: a temporada e os playoffs oficializaram Giannis como a próxima grande superestrela da NBA, e com um Jabari Parker saudável e a volta de Middleton, mas a evolução de jovens talentos como Thon Maker, e uma diretoria cada vez mais competente na hora de tomar suas decisões, o futuro desse time é extremamente brilhante.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Prêmios da Temporada 2016/17 da NBA - Parte II

Steph pode ter ficado fora do 1st Team, mas ganhou uma parte só para ele no texto



Se você está chegando agora: sim, o Two-Minute Warning está de volta!!

E é hora de continuar nossa cobertura de final de ano da NBA. Eu sei que os playoffs já estão rolando e tal, mas eles não vão acabar essa semana. Então antes de mudar de vez de foco, a ideia é falar tudo que tem de pendente da temporada regular.

Para quem perdeu, semana passada nós começamos essa cobertura falando dos prêmios individuais da temporada da NBA. Ou seja, foi uma coluna inteira discutindo os seis prêmios individuais do basquete: Defensive Player of the Year, Rookie of the Year, Coach of the Year, 6th Man of the Year, e Most Improved Player... e claro, a tão discutida e debatida disputa pelo prêmio de MVP.  Simplesmente não me foi possível não dar meus palpites e minha visão em uma questão tão debatida, e foram 8.000 palavras explicando meu ponto de vista.

Então agora é hora de continuar de onde paramos e iniciar nossa Parte II (de 3) dessa cobertura dos prêmios da temporada da NBA para falar dos times ideais da temporada: os três All-NBA Teams, os dois All-Defense Teams, e os dois All-Rookie Teams.

A cobertura acaba na semana que vem com a parte final desse especial: os Prêmios Alternativos da temporada. Não percam!

Parte I: Prêmios individuais da temporada
Parte II: Times ideais da temporada
Parte III: Prêmios alternativos

Vamos ao que importa.

1st, 2nd e 3rd All-NBA Teams

Para quem esqueceu como funcionam os All-NBA Teams, ou como são chamados em português, os quintetos ideais da temporada, um rápido lembrete: cada time é composto por 2 "guards", 2 "forwards" ou alas, e 1 pivô. Sim, isso leva a algumas interpretações dúbias, dúvidas, e algumas "trapaças" (na falta de um termo melhor) para encaixar todos os jogadores. Tivemos inclusive uma dúvida desse tipo nos meus times, como vocês verão em breve.

E ao contrário do prêmio de MVP, onde o critério de "mais valioso" acaba influenciando os votantes, aqui é mais simples e direto: quem foi o melhor jogador, ponto. Isso pode levar, em alguns momentos, a coisas engraçadas - o melhor exemplo foi em 1962, quando Bill Russell foi (corretamente) o MVP da NBA, mas Wilt Chamberlain foi o pivô do 1st Team All NBA. A lógica dos votantes foi simples: nenhum pivô conseguia ser individualmente mais produtivo e dominante que Wilt, mas Russell era claramente o jogador mais valioso para fazer seu time vencer.

Em uma nota relacionada, o Boston Celtics de Russell acabou ganhando o título aquele ano.




1st Team All NBA: Russell Westbrook, James Harden, Kawhi Leonard, LeBron James, Anthony Davis.

Esse primeiro time foi relativamente fácil comparado a outros anos que eu já montei meus prêmios de fim de ano. Apenas três pontos geraram dúvidas e precisaram de decisões mais complicadas.

A primeira foi quais seriam meus dois guards do time titular. Pode parecer maluquice, especialmente considerando que eu coloquei Russell Westbrook e James Harden como meus dois primeiros colocados na disputa pelo prêmio de MVP. Mas quando tiramos o conceito de "mais valioso" e o quão dependentes seus times foram de Russ e Harden, e colocamos apenas o jogador e seu jogo na comparação, é impossível não se impressionar com o que Stephen Curry fez - de novo.

Curry sofreu um pouco com o que eu chamo de "Síndrome de LeBron James", quando o jogador é tão consistentemente fora de série que começamos a tomar isso como dado e avaliar o jogador não pelo que ele fez, mas contra nossas próprias expectativas fora de tamanho: atinja-as, e não fez mais que a obrigação; falhe nisso, e de repente sua temporada não tem mais tanto valor. E foi o que aconteceu com Curry depois de duas temporadas de MVP, uma delas em 2016 não só unânime como sendo também uma das melhores temporadas individuais da história do esporte.

Os casos para Westbrook e Harden já foram feitos na coluna passada, então não vou repetir. Curry, por sua vez, teve um ano "decepcionante" com médias de 25.3 pontos, 4.5 rebotes, 6.6 assistências por jogo (com 1.8 roubos de bola) e médias de arremesso de 46.8 FG%, 41.1 3PT% e 89.8 FT% enquanto provê defesa acima da média e lidera a NBA em +/- em apenas 33 minutos por jogo. Sim, esse é o ano "decepcionante" para Steph Curry.

E enquanto o armador do Warriors não consegue competir com Harden e Westbrook em termos de produção total, Curry tem uma vantagem grande em termos de eficiência: sua linha de 47-41-90 é boa para um eFG% de 58.0, quase obsceno para um jogador que vive no perímetro e tenta arremessos tão difíceis quanto ele - para efeito de comparação, Harden e West tem 53.0 e 45.9 de eFG%, respectivamente - e comete muito menos turnovers, a 3.2 por 36 minutos contra 5.7 e 5.6 de seus rivais. Curry também é um jogador defensivo consideravelmente melhor, defendendo em nível quase All-Defense em 2017, enquanto Westbrook e Harden são defensores abaixo da média - pelo menos.

Mas o que torna Curry realmente especial, e tão difícil de quantificar, é o impacto que ele tem mesmo fora da bola. Seu impacto em uma quadra de basquete não pode ser medido só pela sua produção direta, e não tem paralelo na história do esporte. Por conta de sua movimentação e arremesso mortal, a simples presença de Curry em quadra é suficiente para mudar toda a geografia de uma defesa, abrindo espaços que não existiriam com qualquer outro jogador, e ajudando todo seu time e seus companheiros no processo. Seu defensor tem que marcá-lo mais de perto do que qualquer outro, e um segundo defensor já tem que ficar por perto, e talvez um terceiro já se movimente para esses espaços para cobrir esse vazio... e de repente, mesmo sem fazer nada além de ficar andando pela lateral da quadra, o jogo é totalmente outro para o Warriors. Deveríamos dar crédito para Curry por aquilo que acontece quando ele sequer tem a bola? Sem a menor dúvida - é um fruto direto do seu estilo de jogo, das suas habilidades, e da sua capacidade incrível de usar esses fatores a seu favor e a favor do seu time. Só que embora isso sozinho já faça de Curry um dos jogadores mais importantes do mundo, não existe uma forma objetiva de medir esse tipo de impacto... embora não seja ruim dizer que Curry lidera toda a NBA em +/-, ou seja, o saldo do seu time quando ele está em quadra.

Agora, você leu a última frase do parágrafo anterior e pensou "Mas é claro que ele lidera a NBA, ele joga em um time com Kevin Durant, Klay Thompson e Draymond Green! É uma estatística do time, não dele!". E existe mérito nesse pensamento, é claro: é um número muito influenciado pelo coletivo. Mas vamos então olhar esse número mais de perto, e ver o quanto ele diz sobre Curry em si.

Para começar, é importante destacar que Golden State teve um Net Rating (ou seja, saldo de pontos por 100 posses de bola) de 17.2 com Stephen Curry em quadra, um número obsceno que seria a melhor marca da história da NBA de um time por muito - o Spurs, segundo melhor time da NBA, teve Net Rating de 7.9. Mas o que é realmente interessante é que, com Curry no banco, esse número despenca totalmente para um medíocre +1.0 por 100 posses de bola, basicamente o equivalente ao Miami Heat na temporada. E o argumento começa a ficar esquisito: se o time de Curry é tão bom além dele, como o time não consegue manter o altíssimo nível sem o seu armador? Talvez porque esse armador está fazendo algo de excepcional em quadra que nem sempre aparece nos números diretos, não?

Olhando mais a fundo, o caso fica ainda mais interessante. Considerando apenas os minutos em quadra de Curry SEM Kevin Durant, Golden State ainda tem um excelente saldo de +14.4 por 100 posses que ainda lideraria a NBA com quase o dobro de pontos do segundo colocado. O mesmo também é verdade quando se considera os números do Warriors com Curry e sem Draymond Green (+15.5) e sem Klay Thompson (+13.3), enquanto que a recíproca não é tão verdadeira para qualquer um desses jogadores (+6.5, +6.8, +5.1, respectivamente).

E levando para o extremo, os números de Curry em quadra sem NENHUMA das outras três estrelas do Warriors é ainda mais assustador: +9.7 em 105 minutos SEM Draymond, Klay OU Durant em quadra. Analogamente, os três juntos mas sem Curry tem +6.5 de Net Rating. Em outras palavras, Curry mais um bando de reservas tem números melhores do que o segundo MELHOR time da NBA. E um abraço para aquela conversa de que seus números fantásticos em quadra vem apenas de seus companheiros. A estatística agora parece mais impressionante, não? Adicione a isso o fato de Curry ser o melhor jogador do melhor time da NBA, e não é nada fácil decidir por deixá-lo de fora do 1st Team All-NBA.

Ao final do dia, eu simplesmente não consegui me forçar a tirar Harden ou Westbrook do primeiro time para abrir uma vaga para Curry - não parecia certo deixar Harden, meu MVP, de fora do 1st Team na sua temporada espetacular, e Westbrook também merece ter o reconhecimento devido pelo ano que teve. Então acabei mantendo os dois no 1st Team All-NBA e derrubei Curry (dolorosamente) para o 2nd Team. Mas, a meu ver, a sua temporada não deveu em nada para os outros dois.

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As outras decisões foram um pouco mais simples. A primeira delas, e de certa forma uma decisão chave para destravar a forma como o resto dos meus times iriam cair, era decidir a posição de Anthony Davis. Embora nominalmente um PF, e portanto alguém que entraria no grupo dos "forwards", ou alas, Davis também jogou bastante do ano como pivô em formações mais baixas, e além disso o grupo dos alas já está EXTREMAMENTE atulhado de grandes talentos, enquanto a safra de pivôs desse ano não foi das melhores. Me parecia mais justo colocar Davis de C e abrir espaço para mais um ala no meu time - mas eu só faria isso se realmente tivesse uma justificativa real, dentro de quadra, para isso.

No final, acabei decidindo que fazia mais sentido colocar mesmo Davis como center. De acordo com a distribuição do site Basketball-Reference, Davis jogou 64% de seus minutos essa temporada como pivô nominal das suas formações. Na verdade, das 5 lineups mais usadas pelo Pelicans na temporada, Davis era o pivô em 3 delas. É verdade que o monocelha tem jogado menos na posição depois da chegada de DeMarcus Cousins, mas foi como jogou a maior parte da temporada, e mesmo com a chegada de Boogie ainda tem sobrado tempo para Davis de 5 em meio a suspensões, lesões, e lineups híbridas. Então Davis ficou como um center na minha lista.

Por fim, a decisão final (já que LeBron e Kawhi eram impossíveis de se tirar do 1st Team All-NBA) foi entre quem seria o pivô do 1st Team: Anthony Davis ou Rudy Gobert.

Foi uma decisão bem difícil essa, acabei mudando de ideia 20 vezes, e até agora não estou convencido que escolhi certo. Por um lado, Gobert é um dos 3 melhores defensores da NBA, meu segundo colocado no prêmio de defensor da temporada, e basicamente por tudo que escrevi sobre sua defesa na coluna da semana passada. Mas o que fez de Gobert realmente especial esse ano foi mais do que sua defesa, mas sua evolução ofensiva (combinada com o impacto na defesa, claro). O francês anotou 14 pontos por jogo em hipereficientes 66.3 FG%, se reinventando como uma devastadora arma no pick and roll (Gobert teve média de 1.38 pontos por posse de bola que finalizou a partir do PnR, terceira melhor marca da NBA) e funcionando muitas vezes como foco ofensivo da equipe em alguns momentos em que Gordon Heyward estava fora. Embora não seja um jogador ofensivo versátil ou mesmo de grande USG%, existe grande valor no que o grandalhão fez pelo Jazz nesse lado da quadra.

Talvez ainda mais interessante seja como as estatísticas avançadas adoram Gobert. Embora eu não seja muito fã dessas estatísticas que tentam consolidar tudo em um número só na NBA (um esporte muito coletivo onde é impossível isolar adequadamente o impacto de cada jogador), Gobert lidera a NBA inteira em Defensive Win Shares e é #2 na NBA inteira em Win Shares totais, atrás apenas de James Harden. Gobert também é 13th em Box Score Plus Minus, 8th em VORP, e acabou de se tornar o primeiro jogador da HISTÓRIA da NBA a terminar a temporada no Top5 de Offensive Rating E Defensive Rating individual em uma temporada. É bem impressionante. Independente do que você achar dessas estatísticas, é inegável o ano fantástico que o francês teve, e que seu jogo realmente se elevou esse ano a níveis All-NBA.

Davis é o oposto. Uma legítima superestrela, o principal de Davis sempre foi sua incrível capacidade ofensiva, um dos jogadores mais imparáveis da NBA, capaz de pontuar de qualquer lugar da quadra e contra qualquer defensor, mas cuja defesa não acompanhava essa produção ofensiva. E ao contrário de Gobert, a peça perfeita para um elenco bom e completo, Davis precisou ser a peça central para carregar nas costas um elenco bastante fraco, cortesia de uma das piores diretorias da NBA. E talvez por causa disso, mas praticamente sumiu da mídia e dos círculos de debate uma temporada na qual Davis teve médias de 28 pontos, 12 rebotes, 2.2 tocos por jogo com 50.4 FG% e PER de 27.5... e de alguma forma conseguiu fazer esse time ter um saldo positivo (+1.7 Net Rating) quando esteve em quadra (-8.7 Net Rating no banco). Foi um dos grandes esforços individuais dos últimos anos, e em uma temporada com menos performances históricas - e um time melhor ao seu redor - Davis provavelmente receberia mais crédito pelo que fez esse ano.

Davis também mostrou uma grande evolução do lado menos dominante do seu jogo, o defensivo. O camisa 23 sempre deu muitos tocos por conta da sua capacidade atlética e dimensões absurdas, mas muitas vezes isso era uma forma de compensar mau posicionamento e má movimentação. Não que Davis fosse um defensor ruim, mas não era o jogador que parecia olhando os números de tocos. Esse ano foi diferente: seu posicionamento foi o melhor que eu vi desde que chegou à NBA, usando sua mobilidade e envergadura para fechar linhas de passe sem precisar abandonar a posição perto do aro, bloqueando pivô e armador no pick and roll ao mesmo tempo (a especialidade de Gobert, aliás), e sendo muito mais eficiente em ignorar ações secundárias e focar nas jogadas importantes.

No final, eu acabei decidindo pelo jogo mais completo de Davis sobre a dominação defensiva e estatística de Gobert por causa do quanto Davis precisou fazer dos dois lados da quadra. Gobert é o foco e o centro da defesa do Jazz, e uma peça importante no ataque, mas Davis é o pilar do ataque E da defesa do Pelicans, alguém que precisa dominar para o time ter alguma chance de sobreviver. E aguentar essa enorme carga dos dois lados da quadra e ainda conseguir ser extremamente produtivo, eficiente e dominante colocou Davis um pouco à frente nessa disputa para mim. Mas se você preferir Gobert e derrubar Davis para o 2nd Team, não serei eu a criticar.

(Mas sério, como um jogador de 23 anos com médias de 28-12, 2.2 tocos por jogo, números de eficiência fantásticos e defesa de altíssimo nível de alguma forma escapou da nossa atenção? Mesmo em uma temporada com tantas performances históricas como essa, isso é absurdo)




2nd Team All-NBA: Stephen Curry; John Wall; Kevin Durant; Giannis Antetokounmpo; Rudy Gobert.

Com Stephen Curry sobrando para o 2nd Team, como explicado acima, a dificuldade foi escolher qual seria seu companheiro como guard entre duas opções extremamente válidas: John Wall e Isaiah Thomas.

É outro caso extremamente difícil, e sem uma resposta certa. John Wall teve médias de 23.1 pontos e 10.7 assistências (#2 na NBA) para Washington, com eficiência média (48.2 eFG%, 4.1 turnovers) e defesa bastante instável; Isaiah Thomas teve 28.9 pontos e 5.9 assistências com grande eficiência (54.6 eFG%), defesa consistentemente ruim, e sendo um dos mais devastadores pontuadores de quartos períodos na temporada. Ambos foram o foco do ataque do seu time, e viram os números ofensivos da equipe despencar quando sentavam: de 113.6 pontos por 100 posses a 99.0 para Isaiah, e de 111.2 para 101.3 no caso de Wall.

E ambos fizeram isso do seu próprio jeito único e empolgante. Wall é talvez o jogador mais rápido da NBA, e que combina isso com uma fantástica habilidade nos passes e na manipulação de quadra para gerar mais arremessos de 3 da zona morta do que qualquer outro jogador da liga e causar o terror perto do aro. Wall sempre foi um terror na transição, onde sua capacidade atlética, velocidade e visão de jogo fazem dele um dos melhores jogadores da NBA, mas hoje o armador do Wizards se tornou também um jogador devastador na meia quadra. Wall vai manipular a quadra lentamente, achar o espaço que quer, e chamar a jogada. De um centímetro de espaço, e ele vai explodir por você e atacar a cesta. Se afaste demais, e ele vai te castigar com arremessos de meia distância da quina do garrafão. Traga um defensor extra, e Wall vai achar um companheiro livre. Wall evoluiu de um criador atlético em uma das armas ofensivas mais cerebrais e versáteis da NBA - boa sorte defendendo esse jogador.

Já Isaiah é totalmente diferente de qualquer coisa que eu já vi, um armador de um 1 metro e 75 com um arsenal infinito de dribles, bandejas e arremessos perto do aro que é capaz de finalizar por cima de qualquer gigante e desmontar qualquer defensor. Sua combinação de habilidade ofensiva, resistência física (alguém daquele tamanho que apanha tanto quanto Isaiah não deveria sobreviver mais de duas semanas) e intensidade atacando o aro e desafiando jogadores maiores tornaram Isaiah um dos jogadores mais obrigatórios de se assistir da NBA, e fazer isso com o tamanho que tem fez com que o baixinho se destacasse ainda mais.

O que separa esses dois jogadores realmente é muito pouco. Se você preferir um jogo mais completo, mais criação e melhor defesa (em especial seus patenteados tocos em transição), John Wall é sua escolha; se você valoriza a maior eficiência, carga individual, e pontuação em quarto período, sua escolha é Isaiah Thomas, the King in the Fourth. Eu fiquei com Wall porque acho que é um jogador mais difícil de se preparar para enfrentar, especialmente na defesa: sua defesa é irregular, e caiu na segunda metade da temporada, mas Wall é capaz de defender duas posições em alto nível quando engajado, e você não precisa escondê-lo, ao contrário de Isaiah, que joga duro e com vontade mas sempre será um alvo a ser escondido por causa do tamanho. Por causa disso, eu acho que Wall trás tanto ofensivamente quanto Isaiah (de formas diferentes), mas também tira menos de cima da mesa. Mas a diferença é mínima, e se Isaiah ficar no 2nd Team, terá sido extremamente merecido.

Com Gobert estabelecido na posição de pivô desse time, a única dúvida restante ficou por conta da dupla de forwards. E isso foi definido pela grande dúvida que eu tinha no começo dessa coluna: onde colocar Kevin Durant.

Durant jogou apenas 59 jogos antes de uma lesão no joelho tirar o ala de Golden State de boa parte do resto da temporada (ele terminou com 62 jogos), o que torna impossível colocá-lo no 1st Team sobre LeBron e Kawhi, que jogaram uma temporada completa... mas ao mesmo tempo, a meu ver durante esses primeiros 59 jogos da temporada que Durant disputou, ele estava sendo O MELHOR jogador da NBA, alguém que certamente estaria na disputa pelo MVP se tivesse ficado saudável, e era o melhor jogador (até ali) do melhor time da liga. Durant combinava um alto poder ofensivo (25-8-5 de médias) e extrema eficiência (54-38-89 e um eFG% de 59.4) com defesa de elite, em uma temporada onde KD se reinventou como protetor de aro e durante esses 60 jogos foi uma parte tão integral da defesa do Warriors quanto Draymond. Não teve durante esse tem um jogador melhor ofensiva E defensivamente que Durant, e se não fosse a lesão, estaria na briga para ser não só MVP como talvez DPOY.

E por isso é tão difícil realmente medir KD para esses prêmios. Em geral, eu sou bem rígido com jogos perdidos para times All-NBA - afinal, é uma parte do ano que você deixou de impactar - mas os jogos que KD participou foram tão fora de série, tão absurdamente bons, que foram suficientes para valer uma temporada completa de outros jogadores, mesmo em uma temporada tão boa para alas como essa. Então dando o devido desconto pelos jogos perdidos, e dando o devido crédito pela dominação mostrada nesses dias, acabei colocando Durant como meu quarto melhor ala, atrás de Kawhi, LeBron e Giannis.

E não deveria precisar gastar muito tempo falando de Giannis Antetokounmpo - tudo já foi falado, inclusive na outra coluna. Ainda assim, sua evolução (com apenas 22 anos) em um dos 12 melhores jogadores da NBA, um monstro multifuncional capaz de jogar em 5 posições, ter média de 23-8-5 (com 1.6 roubos e 1.9 tocos por jogo) e proteger o aro num nível Top10 da liga foi um dos pontos mais interessantes e emocionantes da temporada. O potencial do grego é quase ilimitado, e se algum dia ele aprender a arremessar consistentemente, a NBA vai ter que mudar suas regras. E embora isso seja arbitrário, Giannis também se tornou o primeiro jogador da história da NBA a estar no Top10 de uma mesma temporada temporada em pontos, rebotes, assistências, tocos E roubos de bola. E embora isso não influencie na votação, vale citar que Giannis tem uma das personalidades mais carismáticas da NBA e um dos jogos mais únicos que você jamais verá na sua vida. Na era dos chamados "unicórnios" da NBA, Giannis parece estar se destacando como o maior deles.




3rd Team All-NBA: Isaiah Thomas; Damian Lillard; Draymond Green; Jimmy Butler; Marc Gasol.

Com Isaiah ou Wall (acabou sendo Isaiah) garantindo um lugar no terceiro time, acabou sobrando apenas um lugar no time para um verdadeiro exército de armadores merecedores de consideração. Ter que escolher apenas um entre DeMar DeRozan, Kyle Lowry, Chris Paul, Damian Lillard, Mike Conley, Goran Dragic, Klay Thompson e Kyrie Irving foi cruel, e também um tema comum na hora de escolher esse 3rd Team All-NBA que só valoriza o quão boa foi a temporada 2017 da NBA, e o bom lugar que a liga se encontra no momento.

O mais difícil foi decidir o que fazer com Lowry e Chris Paul, que são os dois que se encontram na situação parecida com Kevin Durant: ambos jogaram apenas 60 jogos da temporada, mas nessas partidas que participaram foram melhores do que todos os outros que disputam a mesma vaga. Então se eu votei Durant no 2nd Team, eu não posso excluir Paul e Lowry da disputa por uma questão de critério... mas ao mesmo tempo, nenhum deles foi tão sobrenatural quando esteve em quadra igual Durant, que como disse eu via como o melhor jogador da temporada antes da lesão. Com Durant, ele foi suficientemente melhor do que o resto da competição para compensar a perda dos 20 jogos, mas não tenho certeza que Paul e Lowry atingiram esse nível, especialmente dada a força da competição.

Eu acabei me decidindo por Damian Lillard por alguns motivos. Embora o armador do Blazers não tenha sido tão bom em quadra quanto Lowry e Paul, Lillard jogou 75 jogos da temporada (15 a mais que os outros dois), e teve um enorme impacto em seu próprio mérito: 27 pontos, 6 assistências e 51.6 eFG% não é nada mau em termos de produção, mesmo com uma defesa tão fraca como a sua. Mais importante do que isso, Lillard também tem (em menor grau) aquele efeito Steph Curry descrito acima, que seu arremesso e capacidade de elevar para o chute a qualquer momento força defesas a marcá-lo de forma diferente e abre espaço para todo o time. Lillard também, a meu ver, foi aquele que teve que carregar a maior carga, o jogador que seu time TINHA que produzir em alto nível para seu time ter chance de continuar ganhando... e o fato do armador ter elevado seu nível de jogo e explodido depois do All Star Game com 30 pontos, 6 assistências, 46.7 FG% e 41.3 3PT% de médias enquanto o Blazers subia de nível e fazia sua arrancada definitiva rumo a uma vaga nos playoffs também conta para alguma coisa.

E não me leve a mal, tem motivos de sobra pra votar nos outros, pelo impacto mais completo e consistente de Conley, ou dando créditos a DeRozan por manter o Raptors bem mesmo sem Lowry, ou mesmo valorizando mais a melhor performance indexada de Lowry e Paul. Foi apenas uma opção que tive que fazer em uma discussão muito apertada, e achei que a produção, responsabilidade, produção nos finais de jogos (#3 da NBA em pontos em situações "clutch"), impacto geral e explosão na hora certa para salvar a temporada do seu time colocaram Lillard um pouco acima dos demais.

Seguindo para os alas, tinha um jogador que eu não consegui deixar de fora de jeito nenhum, que foi Draymond Green (na verdade, Green quase tirou Durant do 2nd Team All-NBA). Além de ser o meu voto para Defensive Player of the Year, Green é um jogador dos mais únicos da liga, assim como o seu impacto em quadra. Por causa da sua imensa versatilidade, ele é chave para destravar todo o tipo de jogo e lineup para o Warriors, sendo essa inclusive a chave da sua identidade. Assim como Steph Curry muda toda a geometria de uma quadra de basquete ofensivamente simplesmente estando em quadra, Draymond tem o mesmo efeito do outro lado, com sua capacidade de antecipação e de marcar jogador fechando a possibilidade de vários tipos de jogada antes mesmo delas acontecerem... e isso antes de entrar nos méritos do quanto sua capacidade de agir como armador no ataque destrava as dominantes movimentações fora da bola do Warriors. Stephen Curry pode ser a peça em torno do qual o jogo do melhor time do mundo é montado, mas Green é quem permite que esse jogo seja maximizado em um nível histórico.

Isso nos deixa com uma vaga restante de ala para quatro nomes merecedores: Paul George, Jimmy Butler, Gordon Hayward e Paul Millsap (Blake Griffin teria entrado na briga se não perdesse tanto tempo). Entre os quatro, é difícil não escolher Butler: foi quem jogou mais tempo, foi quem teve a maior responsabilidade de carregar nas costas o seu time, e foi o mais individualmente dominante dos quatro. Em um time disfuncional e sem nenhum tipo de espaçamento, Butler teve que carregar o ano inteiro o ataque nas costas atacando a cesta, cavando faltas, e controlando as ações durante longos minutos. Ele FOI o ataque do Bulls durante grande parte do ano, assumindo de vez o controle quando Dwyane Wade se machucou - e levando o time aos playoffs depois de perder Wade, Taj Gibson E Doug McDermott. Butler teve médias de 24 pontos, 6 rebotes e 5 assistências, e foi um monstro se impondo fisicamente repetidas vezes, atacando o garrafão, e cavando faltas.

Isso nos deixa com apenas o último lugar por decidir, o de pivô. Nessa posição, Davis e Gobert são as certezas, e quatro jogadores brigam pela vaga final: Marc Gasol, DeAndre Jordan, Nikola Jokic e Karl-Anthony Towns.

O primeiro que eu descartei dos quatro foi DeAndre Jordan. Jordan é daqueles jogadores que foi tão overrated que agora virou underrated: depois de alguns prêmios não totalmente merecidos e Doc Rivers falando que o pivô era o melhor defensor da NBA e o novo Bill Russell, todo mundo começou a se cansar disso e procurar motivos para desconstruir o pivô e descreditar esses exageros, o que acabou fazendo todo mundo só olhar os defeitos de DeAndre e esquecer o bom jogador do que ele é. Ainda assim, não consigo colocar na frente dos outros três: DeAndre é uma ótima peça complementar, de grande impacto, mas não é um jogador para construir seu time ao redor, alguém capaz de carregar sozinho um time, como fizeram os outros três.

Quanto a Jokic, o seu grande problema foi ter demorado para realmente engrenar: suas atuações e as atuações do Nuggets foram históricas uma vez que Jokic enfim se consolidou como estrela do time e Denver se reinventou ao seu redor, com seus passes fabulosos e habilidades únicas... mas também demorou dois meses para isso acontecer, período esse onde Jokic veio do banco ou jogou fora de posição. A culpa não é realmente do sérvio, é muito mais um problema do time (sério, como demorou DOIS MESES para o Nuggets concluir que Jokic era seu melhor jogador?!), mas que custou a Jokic quase um tempo considerável de produção em altíssimo nível e acabou tirando ele da disputa.

Towns muito possivelmente será o vencedor da vaga. Ele é a escolha mais chamativa, e ter médias 25 pontos e 12 rebotes arremessando 54% de quadra e 36.7% de três pontos (sim, isso é tão surreal quanto parece). Depois do começo de março até o final da temporada, Towns teve médias de 28 pontos, 13 rebotes, e chutou 58.6% de quadra e 42.5% de três pontos. Isso é tão inacreditável que seu cérebro até desliga.

Mas eu não consigo superar o quão ruins são os números do Wolves com Towns em quadra. Minny é um time -0.9 por 100 posses com Towns em quadra, e só -1.4 com ele fora, uma diferença mínima para alguém tão dominante - e um testemunho ao nível atual da sua defesa, muito fraco. Mesmo durante essa sequência histórica para terminar a temporada, o Wolves na verdade foi melhor SEM Towns: -3.1 com ele em quadra, e -1.0 com ele no banco. E os números ficam ainda mais bizarros quando consideramos sua parceria com o destaque discreto do Wolves nessa reta final, Ricky Rubio: O Wolves teve um bom saldo de +1.0 por 100 posses com Rubio e Towns em quadra, mas quando Towns jogou sem o armador espanhol, esses números despencam para -12.9 por 100 posses de bola (!!!!!!!!!!!!!!!). Analogamente, o time teve um ótimo saldo de +2.5 por 100 posses quando Rubio jogou sem Towns.

Em outras palavras, apesar das performances dominantes de Towns, o time jogou melhor quando não tinha sua presença centralizadora no ataque e sua fraca defesa, colocou as bolas nas mãos de Rubio e deixou que o armador distribuísse o jogo para os coadjuvantes. Então para todas suas qualidades, Towns ainda não está conseguindo canalizar isso e transformar em uma forma de ajudar seu time vencer jogos. Muito disso tem a ver com esquemas e rotações, claro, por isso precisamos dar algum desconto ao pivô e não levar esses números ao pé da letra, mas eles parecem corresponder ao que o teste visual nos diz - que o Wolves ainda não conseguiu achar uma forma de jogar em torno dos talentos excepcionais de Towns.

Então a vaga ficou com quem desde o começo parecia a escolha certa: Marc Gasol. Embora menos dominante e com um jogo menos chamativo que seus concorrentes, Gasol ganha a vaga porque seu efeito se faz sentir em basicamente tudo: sua defesa ainda é bastante sólida, seu jogo ofensivo continua funcionando muito bem para melhorar seus companheiros (com boas screens, movimentação inteligente e passes geniais) e o espanhol até mesmo adicionou uma dose nova de agressividade ao seu jogo, controlando mais a bola, atacando e arremessando mais do que nunca, anotando 19.5 pontos por jogo (maior marca da carreira) e até mesmo se transformando em um excelente arremessador de três (38.8%). O impacto de Gasol pode ser mais discreto, mas ele é muito mais completo e em todas as áreas do jogo, fazendo aquilo que o time precisa sem se importar com seus números, tornando seus companheiros melhores e oferecendo um pilar de estabilidade para um time de Memphis que sofreu ao longo de todo o ano com múltiplas lesões, trocas de lineups e más atuações. Tire Gasol desse time, e ele despenca para a loteria. E por tudo isso, ele foi minha escolha final para fechar meu 3rd Team All NBA.

Bem, hora de passar seguir em frente e falar dos times defensivos da NBA. Mas antes disso...

4th Team All-NBA: Chris Paul, Kyle Lowry, Paul George, Gordon Hayward, Karl-Anthony Towns.

Me processem.


1st and 2nd Team All-Defense

Os times de defesa são apenas dois, mas as regras são as mesmas: 2 guards, 2 forwards, 1 pivô. Mas aqui, ao contrário dos All-NBA Teams, os jogadores já são designados com uma posição fixa, tornando mais difícil o famoso "jeitinho" para encaixar os jogadores mais merecedores independente da posição.




1st Team All Defense: Patrick Beverly, Danny Green, Kawhi Leonard, Draymond Green, Rudy Gobert.

Os três últimos nomes são fáceis - foram minhas três primeiras escolhas para o prêmio de Defensive Player of the Year, e são os três melhores defensores da NBA. Nada a se discutir aqui.

O problema é que eu tinha Andre Roberson - quarto da minha lista de DPOY - como um guard nesse primeiro time. Embora nominalmente Roberson jogue como SF titular do time ao lado de Oladipo e Westbrook, Roberson ainda joga bastante na posição 2, e é mais usado defendendo jogadores de perímetro (especialmente para proteger Westbrook) do que alas. E com o altíssimo número de grandes alas defensivos que tivemos esse ano, colocar Roberson não só era uma forma de reconhecer sua temporada com uma vaga no 1st Team All-Defense, como uma forma de colocar mais alas nos times.

Mas infelizmente não é possível, porque a NBA listou Roberson como apenas um ala na sua relação oficial. Ou seja, não seria possível escalá-lo como guard. Por isso Roberson acabou caindo para o 2nd team (mais sobre isso daqui a pouco) e precisei achar mais guards merecedores da vaga.

Isso é um problema porque, embora tenhamos um altíssimo número de alas tendo temporadas ótimos na defesa (e vários terão de ficar de fora desses times), a safra entre guards não está nem de longe tão boa. Temos alguns com boas temporadas defensivas, sem dúvida, mas nenhuma realmente que tenha se destacado. Chris Paul, eterna presença nesses times, perdeu 20 jogos. Avery Bradley também perdeu 25. Ricky Rubio, outro dos melhores defensores da NBA, teve uma temporada abaixo do seu padrão em um time que sofreu defensivamente durante boa parte do ano. Então temos que mergulhar mais fundo do que seria ideal para achar os candidatos às vagas desse ano.

O primeiro nome, e o mais fácil, é o de Danny Green. Green é aquele tipo de defensor que não chama muito a atenção, que não vai grudar no seu adversário como um Kawhi Leonard e imitá-lo passo a passo até sair com a bola. Mas muito de ser um bom defensor vem não só de fazer boas jogadas, mas de evitar jogadas ruins, e isso é o que mais chama a atenção com Green: ele quase nunca comete erros, está sempre no lugar certo na hora certa, toma as decisões inteligentes, e consegue dar conta do recado mesmo contra os melhores armadores no pick and roll. Ter alguém que sempre faz a jogada certa facilita demais para o resto da equipe produzir.

Green também é talvez o melhor defensor de transição que eu vi na vida, com uma combinação incrível de antecipação, inteligência e leitura de jogo. 3 contra 1? Green consegue antecipar (ou direcionar) quem vai receber a bola por último e vai contestar esse arremesso. Armador atlético puxando contra ataque? Pode ter certeza que Green vai estar entre você e a cesta durante todo o seu caminho, sem fazer falta, e tornando seu arremesso em movimento muito mais difícil. Tem o caminho livre à sua frente? Green vai atacar a bola por trás e te forçar a antecipar ou pegar seu drible. Green é um dos principais motivos pelos quais San Antonio tem uma das melhores defesas de transição da NBA, e embora chame menos atenção que Kawhi, também é parte crucial da melhor defesa da NBA.

A outra posição no perímetro foi mais dificil, mas acabei dando vantagem à excelente temporada de Patrick Beverly. James Harden pode ter assumido de vez o papel de armador principal do Rockets, e sua defesa está bem melhor esse ano, mas Harden não tem capacidade de marcar em tempo integral os melhores jogadores da posição mais atlética da NBA na atualidade. Por isso esse papel cabe a Beverly, um dos defensores mais físicos da atualidade. Beverly é aquele jogador que vai ficar na sua cara, colado no seu corpo, durante todo seu caminho em quadra, não te dando o menor espaço para respirar ou driblar a bola. As vezes isso gera problemas de faltas e lances livres, mas na grande maioria do tempo isso quebra o ritmo dos adversários e mantém aquele que costuma ser o iniciador do ataque sob controle. E por fazer essa tarefa contra geralmente armadores principais, Beverly consegue afetar mais posses de bola, atrapalhando a formação das jogadas no seu ponto inicial. Em um ano sem grandes destaques individuais na posição (defensivamente), o impacto consistente de Beverly foi suficiente para ganhar meu voto no primeiro time.


"2nd Team All Defense!!"


2st Team All Defense: Tony Allen, Chris Paul, Andre Roberson, Giannis Antetokounmpo, Anthony Davis.

Considerando que Roberson e Giannis foram #4 e #5 no meu ballot de DPOY, parece justo que devem ocupar as duas vagas do segundo time nas posições de ala. O que deixa de foram um número enorme de jogadores defensivos muito merecedores, como PJ Tucker, Paul Millsap, Jimmy Butler, Luc Richard Mbah a Moute, Robert Covington, LaMarcus Aldridge e até mesmo Kevin Durant. Lugar de menos para temporadas fantásticas de mais.

Na posição de C, por outro lado, tivemos uma temporada relativamente decepcionante. Os melhores jovens pivôs da NBA são jogadores como Jokic ou Towns, mas ambos são defensores ruins nesse momento das respectivas carreiras. Marc Gasol é sempre uma opção, mas sua defesa caiu um pouco esse ano. Jogadores como Robin Lopez são sólidos, mas que não vão mudar a história da sua defesa. Myles Turner ainda não está pronto. Whiteside parece uma boa opção considerando seus tocos e proteção de aro, mas comete muitos erros de marcação e rotação e pode ser explorado por jogadores físicos que joguem de costas para a cesta. Eu cheguei a considerar DeAndre Jordan, mais explosivo, e Steven Adams, mais consistente, para o prêmio.

Mas por fim decidi premiar a boa temporada e enorme evolução defensiva de Anthony Davis. Eu não vou repetir o que já falei na primeira parte da coluna, mas Davis se tornou um defensor muito mais completo do que só alguém que usa o físico para dar tocos, se tornando uma ameaça no pick and roll. Além disso, e talvez mais importante, Davis teve que assumir um papel defensivo muito mais central do que Jordan ou Adams, que são bons defensores mas são uma parte de uma defesa maior, composta de bons defensores de modo geral. Davis teve que SER a defesa, basicamente, para um time muito fraco do Pelicans, e o fato de ter conseguido desempenhar tão bem esse papel - fazendo do Pelicans a nona melhor defesa da NBA - colocou sua candidatura acima dos demais para mim (New Orleans teve a terceira melhor defesa da NBA com Davis em quadra e a terceira pior sem ele).

Para os guards, o primeiro nome foi o de Tony Allen, um dos legítimos "stoppers" da NBA, aquele defensor individual que vai te guardar no mano a mano e não deixar você fazer nada. Allen perdeu bastante tempo e até suas performances foram mais irregulares, mas quando está saudável e focado, talvez seja o defensor de perímetro mais temido da liga não chamado Kawhi. Seu impacto total não foi TÃO grande que nem em outros anos, mas ainda causou destruição suficiente para garantir a vaga.

E para terminar, minha dúvida do último armador ficou enter Ricky Rubio e Chris Paul. Rubio é um dos melhores e mais subestimados defensores da NBA, um monstro defendendo armadores no pick and roll e talvez o melhor jogador da NBA (depois de Draymond) antecipando jogadas, se movendo de acordo para conseguir roubos ou extinguir uma ação, e recuperando caso de errado. Mas esse ano, Rubio pareceu um pouco menos eficiente com sua usual defesa fantástica, em parte porque o esquema do Wolves não o favoreceu, em parte porque seus colegas de time durante grande parte do ano foram tão mal na defesa. Embora sua defesa individual continue muito boa, ela não beneficiou tanto seu time como de costume.

É pouco, mas essa queda de produção é o que abriu a porta para Chris Paul roubar a vaga apesar de 15 jogos menos. O armador do Clippers simplesmente foi mais dominante quando esteve em quadra, um grude de altíssimo QI de basquete que parece sempre estar atrapalhando alguma jogada, mas também capaz de defender no mano a mano quando necessário. A defesa do Clippers foi melhor que a do Wolves, e embora isso se de por ter companheiros MUITO melhores do que Rubio, Chris Paul foi parte importante disso, não só pela sua atuação individual na defesa, mas também por ser excelente direcionando os lances e os jogadores que marca (e, como costuma marcar PGs, são muitas jogadas) para os pontos que sabe que facilitarão sua defesa e levarão a uma performance coletiva melhor. Paul jogou 15 jogos a menos do que Rubio, por isso a dúvida entre os dois, mas Paul foi mais dominante quando esteve em quadra, e fez mais por uma defesa melhor suficiente para tirar essa diferença. 


1st and 2nd Team All-Rookie

Ao contrário dos outros "times ideais" da NBA, o All-Rookie tem uma gigantesca vantagem: ele não liga para posições, e portanto você pode escolher os 5 melhores jogadores independente de onde eles jogam para montar a equipe. Nada de ter que escalar jogadores fora de posição, ou deixar jogadores mais merecedores de fora só para encaixar de acordo com as premissas. Aqui são 5 jogadores, e ponto.




1st Team All Rookie: Jamal Murray, Malcolm Brogdon, Jaylen Brown, Dario Saric, Joel Embiid.


Brogdon, Saric e Embiid são as três certezas desse grupo, e os três que eu falei extensivamente quando debati o prêmio de calouro do ano. Então não vou voltar no assunto, tudo que tinha para falar sobre os três já foi dito. A questão, então, foi selecionar os dois últimos lugares.

Jaylen Brown
é um caso interessante. Ultimamente, quando tento avaliar a temporada de calouros ou jogadores jovens, eu comecei a focar menos na sua produção total e nos números superficiais, e comecei a valorizar mais aqueles calouros que fazem uma contribuição mais intangível, mas mais significativa, para ajudar times bons e já montados. Isso é algo que se pode notar na minha escolha por Malcolm Brogdon para Calouro do Ano, por exemplo. Um jogador em um time ruim pode estar colocando bons números por ter mais liberdade, mais espaço e menos compromisso com a vitória, de forma que terá mais chances de acumular números, mas exige um nível ainda maior de dificuldade e basquete se adaptar a um time maior, realizar seu papel e jogar de forma a ajudar esse time a vencer.

Com isso chegamos em Jaylen Brown. Seus números não são nada espetaculares - 6.6 pontos e 2.8 rebotes em 17.2 minutos por jogo - e ficaram abaixo de vários outros calouros. Mas Brown foi parte integral da rotação e produção de um time que acabou vencendo 53 jogos e conquistando a #1 seed do Leste, e é claro que não teria a bola nas mãos, a liberdade e a carga para conseguir grandes números. A importância de Brown se deu em outras coisas: sua excelente defesa, sua versatilidade, a energia e a capacidade de jogar (e defender) três posições deu a um time de Boston que estava surpreendentemente magro grande capacidade de variação e adaptação. E não é como se Brown tivesse jogado mal e só estivesse em um time bom: sua produção foi melhorando ao longo do ano, e momentos de evolução foram se notando. Seu arremesso foi respeitável (34% de três), e Brown começou a usar isso a seu favor para abrir espaços e atacar o aro. Em certo momento no final da temporada em que lesões começaram a acumular e Boston ameaçou cair para trás no Leste, a energia e garra de Jaylen foram ingredientes importantíssimos para manter o Celtics vivo, ao ponto de que Brad Stevens não conseguia mais deixá-lo de fora da rotação. Esse tipo de impacto para mim é muito mais relevante do que alguém como Buddy Hield, por exemplo, que teve bons números mas pouco fez para ajudar seu time a vencer (mesmo que não por sua culpa).

A vaga final ficou a ser decidida entre Jamal Murray e Buddy Hield. À primeira vista, Hield parece ter sido melhor: sua média na temporada foi de 10.6 pontos, 3.3 rebotes, 1.5 assistências em 42.6 FG% e 39.1 3PT%, contra 9,9-2.6-2.1 em 40.5 FG% e 33.4 3PT%. Mas por isso é tão importante e interessante olhar aquilo que falei acima, sobre diferenciar o jogador que está contribuindo para um time competitivo, e o jogador que tem liberdade para fazer o que for melhor para ele. Pegando apenas os números de Hield quando esteve no Pelicans, um time que estava brigando por playoffs e não podia se dar ao luxo de deixar Hield jogar como queria, seus números são inferiores aos de Murray: 8.6-2.9-1.4, 39.2 FG%, 36.9 3PT%, e em geral sofreu muito mais para se encaixar e contribuir organicamente para seu time do que Murray, que com seu bom uso da gravidade, movimentação sem a bola e maior QI de basquete conseguia contribuir de forma muito mais orgânica para o Nuggets.

Os números de Hield estão melhores no total por causa do seu tempo em Sacramento, onde foi o centro do time depois do All-Star Game e teve total espaço e condições de jogar como achasse melhor sem nenhum compromisso de levar seu time a vitórias. Hield teve média de 15 pontos por jogo em 48-43-81 nos arremessos, e merece sem dúvidas crédito por isso, assim como Saric merece créditos por jogar tão bem no fraco Sixers, mas na hora de comparar dois jogadores tão próximos e parecidos, eu preferi premiar o jogo mais coletivo e o impacto em um time que disputou até o fim uma vaga nos playoffs de Murray.






2st Team All Rookie: Buddy Hield, Caris LeVert, Rodney McGruder, Juancho Hernangomez, Marquese Chriss.

Depois de Hield, foi uma classe de calouros difícil de separar. Tivemos muitos jogadores que jogaram ao longo de todo o ano, tiveram mais minutos e mais oportunidades, mas não tiveram uma produção diferenciada, e outros que jogaram menos (em geral na reta final do ano) mas que pelo menos tiveram atuações de mais destaque. Separar entre os demais novatos é uma tarefa que envole mais critérios e observações pessoais do que outra coisa.

Entre as demais opções, Rodney McGruder foi um dos nomes que não podiam ficar de fora. Se você nunca ouviu falar de McGruder, é porque o SG do Miami Heat é um calouro de 25 anos que não foi draftado em 2013 e passou sua carreira desde então entre a liga húngara e a D-League. Para a sorte de McGruder, Miami é um dos melhores times da liga achando esses talentos, e McGruder se aproveitou disso para achar seu lugar na NBA. O calouro pode não ter o jogo mais chamativo e produtivo da classe, mas foi o titular de Miami durante a maior parte da temporada (65 jogos), jogou 25 minutos por jogo, e contribuiu bastante dentro de quadra: seu jogo não é baseado em números, mas em fazer as pequenas coisas que ajudam seu time em quadra - tomar decisões rapidamente, fazer as jogadas certas, defender em alto nível, saber seu papel e não tentar fazer o que não sabe. Pode parecer besteira, mas existe muito valor nisso. Miami não era o time com mais talento do mundo, e muito de seu sucesso veio de cada jogador fazer o melhor possível seu papel tirando o mínimo possível de cima da mesa, e é exatamente o que McGruder faz. Ótimo achado.

Caris LeVert era outro jogador que desde o começo não poderia ficar de fora. Vocês talvez não lembrem, mas LeVert já foi um prospecto Top10 do Draft que despencou por causa de múltiplas lesões e temporadas perdidas em Michigan, e é exatamente esse tipo de talento de alto potencial que um time como o Brooklyn Nets precisa apostar nesse momento. E saudável, LeVert é um ótimo jogador, um ala muito versátil capaz de defender em alto nível, bom arremessador, e um criador muito avançado para a posição com altíssimo QI de basquete. LeVert começou o ano machucado mas jogou 57 jogos, e seu crescimento foi um dos grandes motivos pelos quais o Nets cresceu tanto nos últimos dois meses da temporada. Se ficar saudável, foi um grande achado de um time que precisa urgentemente desses talentos.

Juancho Hernangomez foi um dos jogadores que mais me surpreendeu dessa classe. Confesso que não esperava muito, mas Hernangomez se mostrou logo um talento de nível NBA, não como estrela, mas como o tipo de role player que todo time precisa: capaz de jogar tanto de SF como de PF, defender em alto nível, e chutar bem de fora (41.1 3PT%). Alas com esse tipo de habilidades são extremamente valiosos na NBA moderna, e Hernangomez mostrou já ótima capacidade de encaixar seu jogo em um bom time brigando por playoffs.

Por fim, eu fiquei meio triste de colocar Marquese Chriss no time, porque é um jogador do qual não sou fã. Apesar do talento e atleticismo, é um jogador que não le muito bem o jogo, e vive mais da produção individual do que em se encaixar em um time e maximizar o coletivo. Não sou muito fã de jogadores assim, e a falta de QI de basquete me incomoda, um jogador que não sabe exatamente em velocidade de NBA o que deve fazer a cada momento. Mas se falamos da temporada 2017 apenas, Chriss jogou durante todo o ano (82 jogos), foi titular por 75, totalizou mais de 1700 minutos (21 por jogo) e ainda conseguiu produzir bem (9 pontos, 4 rebotes, 0.7 roubos, 0.8 tocos, 32 3PT%). Embora não seja o jogador mais produtivo ou eficiente, ou mesmo o estilo que eu mais valorize, a produção bruta total de Chriss durante mais tempo foi o suficiente para o ala se destacar em um ano onde os calouros não tiveram as melhores temporadas.

Com minhas melhores desculpas a Tyler Ulis, Skal Labissiere (tarde demais), Brandon Ingram (vai ser bom, mas foi muito mal durante muito do ano), Yogi Ferrell, Patrick McCaw, Paul Zipser, Domatas Sabonis (Westbrook assassinou sua temporada de calouro), Kuzminskas, Thon Maker (mais flashes do que produção ainda), Willy Hernangomez e mais uns três ou quatro.

Fontes: Synergy Sports; NBA.com/stats; Basketball-Reference; NBA Stats & Info; e uma tonelada de horas no NBA League Pass.

Agradecimentos especiais ao ótimo Scott Rafferty pela ajuda com alguns pontos.