Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Considerações de fim de temporada

Como nossos leitores devem se lembrar, a gente deu uma corrida bem forte por aqui quando eu voltei de viagem, depois de uma longa ausência do blog, pra poder cobrir tudo que estava acontecendo nos playoffs da NFL, que era o assunto mais importante em pauta. A gente deixou de lado várias coisas que aconteceram na NFL entre os times que ficaram de fora da pós temporada e cobriu os jogos que estavam ou iam acontecer. Bom, agora chegou a hora de trazer à tona alguns assuntos que a gente deixou passar mas que eu acho importante trazer de volta, pelo menos de forma mais curtinha. São dois assuntos, ambos de NFL, mas que tem alguma importância em geral pra Liga e por isso valem comentários um pouco mais profundos.


Quando eu disse que adoraria ver o QB do Colts no 49ers, eu não me referia ao de 1997

Dança dos técnicos
Esse foi um assunto que chamou bastante a atenção durante a temporada por causa do grande número de demissões de técnicos de times que não foram bem como todos esperavam, de técnicos que foram demitidos porque não conseguiram levar elencos limitadíssimos longe, e muitos, muitos boatos sobre técnicos que iriam sair e entrar em equipes. O Dallas Cowboys demitiu o Wade Phillips, o Vikings mandou o Brad Childress passear, o Josh McDaniels deu o fora de Denver, e ai começaram a pipocar boatos sobre técnicos de times que também estavam aquém das expectativas, como o 49ers, Miami Dolphins e até o New York Giants. Muitos nomes foram colocados em cima da mesa, e começou uma grande especulação em torno disso.

Isso começou, de certa forma, com um técnico do College, Jim Harbaugh. Harbaugh era técnico de Stanford e o seu contrato com a Universidade acabou no final da temporada colegial americana, com o título do Orange Bowl. Harbaugh é um bom técnico e anunciou sua intenção de se desligar da Universidade de Stanford ao fim do seu contrato, e supostamente seu destino seria a NFL. E imediatamente começaram a pipocar boatos sobre os times que estavam sem um técnico oficialmente: Cowboys, Vikings, Denver, e tambem 49ers, que mandou o Mike Singletary embora, o Carolina Panthers que se livrou do John Fox, o Miami Dolphins que estaria mandando o Tony Sparano embora, o Oakland Raiders que mandou o Tom Cable pra casa da mãe e até o Giants, embora ainda estivesse um técnico que na minha opinião está longe de sair. Mas o Vikings e o Cowboys logo saíram dos boatos porque efetivaram Leslie Frazier e Jason Garrett, respectivamente. Ambos foram os treinadores interinos após as demissões dos técnicos de ambos os times e se saíram bem, melhoraram consideravelmente as atuações das suas equipes e fizeram o suficiente pra convencer a direção de ambos os times que mereciam o cargo.

Bom, o Jim Harbaugh acabou indo pro 49ers, e ai deixou Denver, Panthers e Raiders procurando por um técnico, e o Dolphins decidindo o que fazer com o seu. O Dolphins rodou, rodou, rodou e por fim decidiu que o Tony Sparano não ia a lugar nenhum. E ai pareceu história de marido corno: O Denver foi lá e pegou o ex-técnico do Panthers, o John Fox. O Panthers buscou seu próprio corno e tirou o Ron Rivera de San Diego, onde era coordenador defensivo, mas foi pra Carolina como técnico mesmo. E o Raiders, que ficou sem ninguém, promoveu o coordenador ofensivo, Hue Jackson, pro cargo. Ai outro time sem emprego, o Cleveland, que demitiu de forma absurda o Eric Mangini, que vinha fazendo um ótimo trabalho com o elenco fraco do time, foi lá e tirou o coordenador ofensivo de outro time, o Saint Louis Rams, Pat Shurmur. E o que fez o Saint Louis Rams sem seu coordenador ofensivo? Buscou pra posição o McDaniels, ex-técnico do Denver Broncos. Parece ou não parece roteiro de novela mexicana??

Na prática, os times que jogaram mais seguro foram justamente Dallas e Minnesota. Os dois já tiveram um período de experiência sem compromisso dos novos técnicos, e ambos fizeram o time melhorar muito seu jogo em relação ao que vinha acontecendo antes. Os dois parecem ter o controle do elenco, e agora precisam ter pulso firme pra agüentar o que vem pela frente: A busca pelo título do forte time de Dallas e o período de turbulência sem um QB do Vikings. O Miami, pra mim, não jogou seguro porque o técnico simplesmente não deu certo lá. O Miami tinha um time muito melhor do que sua campanha e a forma como jogou indicava e, embora a falta de um QB confiável atrapalhe bastante, eu não vi o Sparano fazer nada par melhorar essa situação, e o time parecia disperso, sem comando. A situação lembrava, dadas as devidas proporções, a do Dallas, e eu acho que, assim como no Dallas deu certo a troca de comando, eu acho que no Miami também daria. Já os outros times são incógnitas porque nenhum desses técnicos já atuou como Head Coach da NFL antes, e cada um deles vai enfrentar uma situação diferente. Não vou palpitar agora, e sim esperar pra ver como eles ficam nos cargos depois de algum tempo.


"Ai, olha ele pagando de machão de novo!!"

Vince Young e Jeff Fisher
Embora não tenha participado da novelinha acima, o Titans tem um problema maior do que todos esses times acima no que diz respeito ao técnico em relação ao elenco. O Titans teve um ressurgimento incrível em 2009 depois de começar perdendo seis jogos seguidos, quando o QB Vince Young assumiu o time. Ele jogou bem, fez uma dupla excelente com o Chris Johnson e o time quase foi para os playoffs. Esse ano as expectativas eram altas, e embora o foco fosse o Chris Johnson e suas 2000 jardas terrestres, o Young sempre foi uma peça fundamental no time e era ele quem decidia os jogos quando a coisa apertava.

Mas o Young sempre teve seus problemas de personalidade, eu até falei um pouco deles nesse post aqui na parte sobre o Titans, e sempre ficou claro que, apesar de possuir muito talento, ele era um jogador com a cabeça meio problemática. Pode parecer uma frescura isso de jogadores problemáticos, e tem até gente que exagera e se ferra por isso (Boa noite, Pacers!), mas se tem uma coisa que estraga jogador talentoso são problemas com a cabeça, e não me refiro às concussões. Jogadores que não treinam, não se dedicam, se preocupam mais com suas estatísticas que com o time, que não tem personalidade pra agüentar essa maratona, a gente cansa de ver jogadores assim, e muitas vezes isso afunda jogadores que tem muito potencial, eles acabam se queimando com a cartolagem e os técnicos, confiam demais no seu talento e não se desenvolvem porque acham que não precisam, não se dedicam e passam uma impressão ruim pros colegas. E como a posição de QB é a posição de liderança dentro do time, um QB com essas características geralmente é um QB sem controle e respeito dentro do elenco, e um QB assim nunca vai conseguir extrair o melhor do seu time. E o Young nunca foi um QB de grande personalidade dentro do time e não era o jogador que mais impunha respeito no mundo. Mas ele jogava bem, seus companheiros e ele possuíam uma boa química dentro de campo e o time ia pra frente como podia. Mas a partir do momento que ele começou a vacilar, deixou de treinar como treinava no começo da temporada, não fez o esforço que todo mundo espera de um jogador com uma posição tão importante do elenco, o time se desmontou, perdeu seu foco e jogou o resto da temporada apenas pra cumprir tabela, porque o time estava totalmente perdido. E o Jeff Fisher sempre foi um técnico linha dura e de personalidade forte e ficou extremamente bravo com essa situação e colocou o Young no banco. O que fez ele se dedicar menos ainda porque achou que não ia voltar a ser titular, e por ai vai.

O Young chegou a voltar a ser titular numa tentativa de salvar a temporada, mas ele sofreu uma nova lesão e teve que sair de campo. Ficou bravo, jogou o equipamento pra torcida e não pediu desculpas pro Fisher. Resultado que ninguém gostou e a situação dele com o técnico ficou insustentável. Muitas pessoas disseram que os dois não tinham condições de jogar juntos novamente, e que portanto um deles teria que sair. Pessoas ligadas à direção do Titans aconselharam o GM do time a manter Fisher e mandar Young embora, até porque não era só com o técnico que ele tinha problemas, e parecia que o time tinha feito sua decisão quando anunciou que o Young não jogaria mais pelo time. Mas qual foi a surpresa quando, semana passada,o time anunciou a saída do Fisher do posto de técnico.

O Young não vai voltar a ser o QB do time, não é essa a história, pelo menos por enquanto. O time está desesperadamente atrás de uma troca pra não sair de mãos abanando e não descarta a hipótese de dispensar o QB sem mais nem menos. Ao que tudo indica o Vince Young vai mesmo sair de lá, e o problema é que eu acho que o valor dele despencou com o final desse ano, e duvido que time consiga muito por ele. Mas o problema que o time enfrenta agora é a saída do Fisher, porque embora muita gente já previsse a saída dele do Titans no final da temporada 2011, com o término do seu contrato, a saída dele agora deixa o time numa posição ainda mais complicada. Eu acho o Fisher um ótimo técnico, não tem medo de peitar jogadores problemáticos e sempre foi bom em controlar jogadores indisciplinados (só lembrar da barbaridade que o Albert Haynesworth jogava com ele) e é muito bom escolhendo as pessoas certas pros cargos certos, se cercou em Nashville de uma equipe de técnicos confiáveis e competentes, e é excelente montando times que joguem bem como uma equipe, em conjunto, ainda que com elencos limitados. É daqueles técnicos que sabem extrair o máximo do grupo que tem nas mãos. Então porque ele foi embora?

Ele foi embora porque o Vince Young foi embora, a verdade é essa. Não porque ele era O Vince Young, se fosse o Kevin Kolb teria sido a mesma coisa, se o que sobrou pra ele era o Kerry Collins. Acontece que agora o time não tem mais um QB pra liderar a franquia, e portanto vai ter que começar esse projeto do começo novamente. O time tem um bom núcleo jovem e o Titans deve ir atrás de um QB novo também, seja por troca ou, mais provavelmente, via draft. Mas quando você drafta um QB ou muda um QB jovem de time, ele tem que se adaptar a muitas coisas. O processo de desenvolver um Quarterback jovem é demorado e paciente, o jogador tem que ir aprendendo com calma o esquema do novo técnico e geralmente isso demora. Pro Titans, portanto, não fazia sentido draftar um QB agora, deixar ele um ano aprendendo o esquema do Fisher enquanto se desenvolvia com ele, pra dai o Fisher sair no final da temporada que vem e ter que ensinar um esquema novo e ter que adaptar o garoto a um técnico novo. Como o Titans vai querer começar esse processo agora, eles querem desenvolver um projeto em torno disso, e eles precisam de um técnico que acompanhe o desenvolvimento do centro do time, o Quarterback. E ai o melhor que o time fez, em nome desse projeto, foi mandar o técnico embora pra contratar um técnico novo, com um esquema novo, que vai começar junto da nova cara da franquia.

Agora o Fisher está no mercado, e ele tem um pouco mais de valor que o Young. O Titans ainda está sem técnico e parece que a idéia é buscar alguém no College ou promover um dos muitos bons assistentes do Jeff Fisher pro cargo. Mas o time perdeu o maior agito da dança dos técnicos e muitos técnicos bons disponíveis já saíram do mercado, e agora o time vai ter que ir atrás de quem sobrou. E por outro lado, o Fisher entra no mercado agora que ele parece ter se saturado. Mas o Fisher é um técnico competente e que já fez seu nome na Liga, não deve ficar desempregado muito tempo.

Extra: Pro Bowl
O Pro Bowl desse ano foi bem chatinho, mas vale conferir o Touchdown que o Center do Browns, Alex Mack, anotou no final da partida.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Pro Bowl

Antes de mais nada eu queria, novamente, pedir desculpas. Aproveitando que era uma semana sem maiores interesses no mundo dos esportes americanos, já que essa é a semana de folga entre as Finais de Conferência e o Pro Bowl na NFL, e o All Star Game da NBA ainda está escolhendo seus jogadores, aproveitei pra colocar em ordem várias coisas, e deixei o blog um pouco de lado. Desculpas aos leitores que entram aqui periodicamente, espero que continuem querendo voltar. Mas a falta de tempo, excesso de coisas pra fazer e a falta de um parceiro pro blog (confiável) atrapalharam e eu optei por deixar essa semana mais vazia de lado pra poder me concentrar exclusivamente nessa semana preparatória pro Super Bowl. Prometo posts todos os dias até o fatídico domingão, inclusive um post com várias sugestões de onde assistir ao jogo, pra quem não sabe e não tem ESPN. Portanto desculpem a falta de posts e vamos agora voltar ao ritmo normal.
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Isso resume bem o que é o Pro Bowl: Uma diversão bastante confusa
O Pro Bowl da NFL, tradicionalmente, era um jogo realizado no Hawaii no domingo seguinte ao Super Bowl. Nele, se enfrentavam os times da AFC e da NFC, onde ambos os times eram eleitos por votação popular, pelo menos um (ou dois, dependendo da posição) titular e um (ou dois) reserva(s) pra cada posição (exceto special teams e Fullback). Ano passado, no entanto, o comissário Roger Goodell decidiu mudar tudo e subverter a ordem de uma vez: aproveitando que o contrato pro Pro Bowl ser realizado no Hawaii tinha acabado, ele decidiu que a edição de 2010 fosse no mesmo estádio do Super Bowl, o Sun Life Stadium de Miami, e que fosse no domingo anterior ao Super Bowl, e não no posterior. Muita gente reclamou que isso era uma quebra de tradição e tudo mais, e ai o Goodell desistiu e levou o Pro Bowl de volta pro Hawaii, embora o domingo ainda seja antes do Super Bowl, que nem ano passado.

Mas o Pro Bowl, assim como o já citado All Star Game, é um jogo que divide um pouco as opiniões. Os dois jogos têm a mesma função: Divertir, colocar os jogadores que a torcida mais gosta pra jogar juntos numa partida festiva e também é uma forma de reconhecer os atletas que a torcida considerou mais dignos de estarem lá. Tanto na NFL como na NBA, ser um Pro Bowler (Ou All Star) é uma honra, uma medida de como o cara é importante dentro da Liga (Pode reparar que várias vezes ao se falar de um jogador você acompanha seus dados básicos na carreira do número de aparições do jogador nesses jogos) e de por quanto tempo ele foi capaz de manter seu jogo em alto nível.

Mas as divergências existem, e por dois motivos principais. O primeiro e talvez o mais importante é que é um jogo sem importância nenhuma. Não é como o All Star Game da MLB, que é realizado durante a temporada regular entre as conferências e que determina quem terá o mando de campo na World Series, que é o campeão da conferência que venceu o All Star Game. Portanto, vencer o All Star Game é uma questão que é importantíssima, principalmente porque a maior parte dos jogadores e técnicos dos times no All Star Game pertencem aos times que estão disputado vagas nos playoffs e que portanto tem um interesse direto na vitória: caso vençam e seus times cheguem ao Clássico de Outono, esse time terá o mando de campo, mesmo que tenha tido quarenta vitórias a menos que o campeão do outro lado. Mas não na NFL e na NBA, nesse caso é apenas um jogo festivo. Os jogadores se exibem um pouco, fazem festa pra torcida, se divertem, mas no fundo eles sabem que aquele jogo não vale nada, e ninguém realmente da 100% de si, até porque corre o risco de uma lesão (Todo mundo está à mercê de uma lesão quando está correndo num campo com oito ou nove linemans de 140kg por perto) ou até pra não levar umas pancadas quando você já está de férias. Por mais que sejam grandes jogadores, ninguém joga com seriedade, simplesmente porque o jogo não vale nada, e depois de um tempo isso começa a ficar cansativo, aquela situação que todo mundo quer jogar mas ninguém quer suar a camisa. As vezes, quando o final das partidas começa a ficar apertado, começa a ter um pouco mais de vontade de ambos os lados, mas isso só quando se chega no final da partida com um placar apertado e dependendo também de quem está em quadra.

O segundo argumento contrário é justamente essa questão do 'mérito' de quem está lá. A votação, em ambos os casos, é popular, e portanto quem está escolhendo são torcedores sujeitos a vários tipos de torcida, a favor de um, contra outro, e que muitas vezes vota em jogadores que não mereciam estar lá, quando jogadores da mesma posição tiveram anos melhores, simplesmente porque esse jogador já foi muito bom no passado ou porque a torcida gosta muito dele. Ou então deixam de eleger algum jogador porque ele teve uma má conduta um ano, porque é chato ou arrogante, mesmo que ele esteja destruindo dentro de campo. Não é uma votação baseada somente na produtividade ou rendimento do jogador dentro de campo, está muito vinculada a tudo que um torcedor sente fora das quadras. O que mais, além do amor cego e incondicional de um bilhão de chineses, seria capaz de eleger o Yao Ming pro All Star Game quando eu joguei basquete mais vezes que ele nos últimos seis meses?? Porque o Logan Mankins, do Patriots, é titular do All Star Game na frente do Brian Waters (Chiefs) quando o Mankins, que é um dos grandes Guards da Liga há alguns anos, perdeu sete jogos por causa de uma disputa contratual e jogou apenas metade da temporada, começando fora de forma e jogando mal até finalmente se acertar depois de jogar várias partidas fracas, e o Waters foi o principal responsável na linha ofensiva do Chiefs pelo melhor ataque terrestre da NFL?

Esse "mérito" é uma noção que não leva em conta muitas coisas e que, pelo menos pra mim, é uma medida muito fraca de rendimento de um jogador. Claro que um jogador que foi pro Pro Bowl durante 12 anos seguidos merece uma atenção, ninguém vai pra tudo isso só no nome, não foi isso que eu quis dizer, mas acontece que se um jogador foi pro Pro Bowl durante 8 anos seguidos por ser um tremendo jogador, muito dominante e carismático, ele pode conseguir mais quatro vagas por causa das oito anteriores quando ele já está na descendente da carreira. Vale lembrar, por exemplo, que o Aaron Rodgers não vai pro Pro Bowl esse ano, e em seu lugar estão indo Matt Ryan e Drew Brees. Rodgers, Brees e Ryan estão todos entre os, digamos, cinco melhores QBs da NFC hoje, sem dúvida, mas na hora de decidir quais são os dois melhores que vão ganhar o 'Pro Bowl 2011' no currículo e qual deve ficar de fora, é uma coisa muito subjetiva e que pode dar um 'prêmio' a um jogador em detrimento de outro por causa de algo que não vai mostrar nunca quem é o melhor, e que aliás nem deveria mostrar. Além disso, o Pro Bowl tem um plantel bastante bagunçado. Muitos jogadores não vão pro Pro Bowl pelos mais diversos motivos, os principais sendo lesões (leves ou graves) e a presença no Super Bowl, mas também tem muitos jogadores que simplesmente pedem pra não jogar essa partida pra irem viajar, pra descansarem, pra não interromperem as férias. E ai você chama mais jogadores que ficaram de fora e vai inchando o plantel. As vezes nem os próprios jogadores selecionados ligam pro Pro Bowl, a gente fica em dúvida também se deveria ligar.

Mas, por outro lado, da pra entender a animação de alguém que vê que um time com Tom Brady passando para Andre Johnson, Reggie Wayne e Dwyane Bowe e correndo com o Jamaal Charles enfrentando uma defesa com Ndamukong Suh, Jullius Peppers, Demarcus Ware e Adrian Wilson, sendo que depois você ainda pode ver o Devin Hester retornar um punt ou kickoff pro Michael Vick entrar em campo enquanto faz chover bolas longas pro Roddy White e pro Calvin 'Megatron' Johnson. São jogadores que estão na elite da Liga e que são ótimos de se ver jogar, talentosos, habilidosos, explosivos, atléticos, e portanto existe essa perspectiva de ver esses grandes talentos dentro de campo. Se a coisa começar a esquentar, é promessa de um jogo bom, e é sempre um prazer ver as jogadas que ocasionalmente saem nesses jogos, frutos do puro talento.

O que exatamente virou o Pro Bowl, eu não sei dizer, e nem é isso que eu quero. Cada um tem sua opinião, cada um encara a partida do seu ponto de vista. O Pro Bowl é necessário? Do ponto de vista profissional talvez não, mas os americanos são muito apegados às suas tradições, e eles adoram mantê-las, acabar com uma tradição é como violar a história do país, e os americanos acham isso um insulto. Só ver a grande reação que foi dentro e fora da Liga quando o Goodell anunciou que o Pro Bowl ia quebrar a tradição e sair do Hawaii. É uma forma divertida (não disse útil) e espalhafatosa de celebrar o principal esporte americano na atualidade e todo seu glamour. Se vale a pena acompanhar, eu sinceramente acho que sim. Tem talento demais, jogadores bons demais pra que não haja pelo menos um lance emocionante ou espetacular no jogo todo, e isso sempre é divertido. Ver certos jogadores jogar é um prazer, e mesmo em ritmo de férias e brincadeira não deixa de ser divertido ver a quantidade de jogadores de qualidade jogando juntos e dando risada. Mas pra mim você tem que ver a partida como o que ela é: Uma partida festiva, que vale tanto quanto o "casados vs solteiros" do final de semana no clube, e que se deve acompanhar apenas pela diversão do que vai ver ali dentro, não pelo que ela signifique ou pelo que ele represente. Até porque, de fato, ela representa apenas isso, uma reunião de jogadores que querem se divertir jogando um pouco o esporte que gostam. Os que não estão afim disso são os que botaram a mão na coxa e pediram pra sair antes de começar, que nem o Ronaldo faz quando não está afim de jogar. Os jogadores que vão pra lá são os que querem se divertir, encontrar outros jogadores de alto nível, dar umas trombadas sem compromisso e bater uma bolinha, já que a temporada acabou mesmo. E é nesse espírito que se deve assistir ao Pro Bowl pra aproveitar ao máximo e esquentar para o grande evento, que será só daqui a sete dias: Super Bowl, direto de Dallas.

A lista com os titulares, reservas e substitutos que foram eventualmente cobrir os jogadores que estão fora por lesão, férias ou Super Bowl pode ser vista nesse link aqui, e pra quem está por fora, o Super Bowl será esse domingo, dia 31, 10h da noite.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Desculpas

Novamente venho pedir desculpas aos nossos leitores pela falta de posts esses dias. Os playoffs da NFL deram uma pausa, a NBA está sem grandes novidades, e o Super Bowl é só no outro fim de semana. Estou usando essa folga pra arrumar alguns problemas pendentes por aqui. Prometo que assim que possivel a gente retoma o ritmo.

Novamente pedindo desculpas.
Vitor.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Resumo da Final de Conferência: AFC

Velocidade cinco na dança do créu pro Jets


New York Jets 19 vs 24 Pittsburgh Steelers
O preview desse jogo pode ser lido aqui

Vocês provavelmente ainda lembram do jogo entre Steelers e Ravens da semana passada. O Ravens teve um primeiro tempo destruidor, a defesa jogou muito bem, forçou fumbles e gerou pontos ou boas posições de campo pro ataque. O Steelers não conseguiu impor seu jogo, não controlou o relógio, sua linha ofensiva foi vencida com facilidade, sofreu vários fumbles bestas. No segundo tempo, o Ravens foi incapaz de segurar a bola, deu vários turnovers de presente, o Steelers fez tudo certo, jogou direitinho e saiu com a vitória. Um tempo foi o reflexo do outro, e eu meti o pau no Ravens por ter sido tão inconstante ao longo do jogo. Mas acontece que dessa vez, quem fez isso foi o Steelers - e isso quase custou aos metaleiros o título da conferência.

O Steelers entrou com uma proposta simples: Controlar o jogo e o relógio quando estivesse no ataque, jogar de forma curta e eficiente, não dar a chance de turnovers e correr bem com a bola. E na defesa, colocar pressão no Mark Sanchez, parar o jogo terrestre e forçar o QB do Jets a lançar a bola. E pra provar que estava muito afim de cumprir isso à risca, o Steelers abriu o jogo com uma campanha de QUINZE jogadas e que durou NOVE minutos, consistindo basicamente de corridas e passes curtos. A jogada mais longa da campanha foi de 12 jardas, e foi uma corrida do próprio Big Ben Roethlisberger. E, mais importante, terminou em um touchdown. Num jogo de defesas fortes, não se pode desperdiçar campanhas e chances. O Steelers fez tudo que se propôs a fazer no ataque, e marcou seu TD. Mas pagou um preço alto: Maurkice Pouncey, seu Center calouro e muito bom, que melhorou demais essa defesa, lesionou seriamente a perna, teve que sair, não voltou e preocupa pro Super Bowl.

Na defesa, o Steelers também não deu espaço pro Jets: Fechou a linha de frente, parou o jogo terrestre e forçou o Sanchez a ganhar o jogo com o braço, o que naturalmente não deu certo, e ainda menos certo com a pressão que recebeu da defesa de Pittsburgh. A defesa do Jets até conseguiu impedir mais um TD do Steelres na campanha seguinte interceptando o Big Ben numa 4th and 1 no seu campo de defesa, mas a bola logo voltou pros metaleiros e o jogo terrestre do Steelers posicionou o field goal do Shaun Suisham.

Mas o ataque do Jets continuou fraco, conforme o Steelers continuou abusando do fraco QB de NY. E o jogo terrestre do Steelers continuou funcionando até demais. Quando a bola não ia pelo chão, a pressão do Jets fazia o Big Ben sair do pocket e passar correndo, e todo mundo sabe que assim ele acerta. A defesa do Jets, por melhor que fosse, não estava conseguindo segurar um Rashard Mendenhall inspirado e um Big Ben cuja habilidade de sair do pocket era a arma perfeita contra as blitzes do Jets. E assim Big Ben anotou o décimo sétimo ponto do Steleers num TD terrestre. O Steelers abriu ainda mais o placar quando uma blitz do safety Ikey Taylor forçou um fumble do Sanchez, que o William Gay retornou pra touchdown. Recuperando a bola, o Jets conseguiu apenas um field goal nos segundos finais. 24 a 3 era o placar no intervalo.

Touchdown com direito a moonwalk

A história do primeiro tempo foi simples e, de certa forma, chata. O Steelers jogou um jogo perfeito, tanto em sua tática e estratégia como na sua execução dentro de campo. O Steelers conseguiu tudo a que se propôs, controlou o relógio, estabeleceu o jogo terrestre (Mendenhall teve mais de 90 jardas só no primeiro tempo) e converteu as chances que teve. Deixou o ataque do Jets sentado, impediu que o Jets estabelecesse o jogo terrestre pra administrar conversões mais curtas com sua forte defesa, conseguiu forçar turnovers que renderam pontos e colocou o jogo nas mãos do Mark Sanchez, que não levou o Jets a lugar nenhum. O Jets estava totalmente dentro do jogo que o Steelers os tinha colocado, e não parecia conseguir encontrar uma saída. Muitas pessoas, inclusive eu, acharam que o jogo estava acabado.

Mas a surpresa foi geral quando, voltando do intervalo, o Mark Sanchez acerta dois passes fantásticos em seqüência, de 16 e 45 jardas, pro ex-Steelers Santonio Holmes, que no segundo aproveitou o passe perfeito pra queimar a cobertura do Ikey Taylor e entrar na end zone totalmente livre. A defesa do Steelers vacilou, e o Sanchez leu perfeitamente a defesa pra conectar um lindo passe. E quando o Steelers voltou pro ataque, nada parecia dar certo: O jogo terrestre não conseguiu explodir como antes, os recebedores estavam sempre muito bem cobertos e a pressão começou a apertar o Big Ben pra dentro do pocket, impedindo-o de sair e passar correndo como ele gosta. O próprio Big Ben parecia errar mais passes do que nunca, e embora o time tenha chegado até o campo de ataque depois de uma falta muito azarada num punt que deu 15 jardas e uma primeira descida de graça pro Steelers, o Big Ben forçou um passe desnecessário e sofreu sua segunda interceptação. Duas posses de bola pro Jets depois (Entre elas uma campanha do Steelers que terminou com dois sacks e uma corrida pra -3 jardas, em seqüência), a campanha de New York foi exatamente o que o Steelers fez com eles no começo da partida: 17 jogadas e oito minutos, cheia de passes curtos e jogadas de corrida eficientes. Sanchez acertou bons passes, errou alguns, mas o Shonne Greene acordou pro jogo e levou o time nas costas nessa campanha. Mas ela teve uma diferença pra campanha inicial do Steelers: Não terminou num touchdown. Terminou numa tentativa fracassada de converter uma 4th and 1 na linha de uma jarda.


Carrinho é falta, Arnaldo!

Normalmente, desperdiçar tempo e uma chance assim perdendo a partida seria péssimo. O jogo estava 24 a 10 ainda, e o Steelers tinha a bola com pouco mais de sete minutos no relógio. Mas o segundo tempo era realmente do Jets e não do Steelers. O center que entrou no lugar do Pouncey errou o snap, que bateu na própria perna, e caiu no chão pra um fumble. Big Ben recuperou o fumble e vitou o pior, mas ainda contou com safety, e o Jets recebeu a bola. O Jets recebeu a bola e, em cinco minutos, anotou mais um TD em ótima campanha do Mark Sanchez. 24 a 19, 3 minutos no relógio. E ai o Rex Ryan, que tinha arriscado naquela quarta descida, não quis arriscar. O Jets estava dominando o jogo dos dois lados da bola no segundo tempo, a defesa tava perfeita parando o jogo terrestre, o Big Ben não tava tendo liberdade pra passar e também estava perdendo ritmo sentado no banco tanto tempo, e a pressão estava chegando nele de todos os lados. A defesa do Jets tava muito superior e o Rex Ryan, com três tempos pra pedir, decidiu confiar na sua defesa, esperar ela recuperar a bola e entregar pro Sanchez, que fez um ótimo segundo tempo, virar a partida. O Steelers correu com o Mendenhall, que não avançou nada na primeira tentativa. E ai acho que o Mike Tomlin caiu na real. Na segunda, ele não tentou correr. Ao invés disso, deu a bola na mão do Big Ben. A melhor decisão que ele tomou na partida. O Big Ben, sob pressão, simplesmente não erra. Um segundo tempo muito fraco, mas quando chegou na hora de decidir, de escapar da pressão e fazer um passe certo pro first down, ele foi perfeito. Fez isso uma vez, 14 jardas. Depois de mais duas corridas do Mendenhall pra não ganhar nada, faltando 2 minutos, uma terceira descida crucial. A bola foi pro Big Ben novamente. E, saindo do pocket, correndo, contra o movimento do corpo, fugindo da blitz, descolou um passe preciso, absolutamente perfeito, que caiu nas mãos do alvo pra primeira descida e pra vitória do Steelers. Se você tem uma conversão importante no fim da partida, talvez não tenha um QB melhor que o Big Bem hoje, fim.

O segundo tempo foi exatamente o oposto do primeiro, com o Jets fazendo tudo que o Steelers tinha feito antes. E deu certo, só não deu certo por três motivos. Primeiro, por causa da enorme vantagem que o Steelers abriu no primeiro tempo. Segundo, por causa do tempo, o 'fazer tudo certo' pro Jets envolvia correr muito com a bola, mas isso gastou o relógio mais do que convinha a eles. E por fim, o fato do outro lado ter um QB que é mortal quando chega no fim da partida, e de ter optado por não fazer o onside kick e devolver a bola na mão do Big Ben. O Steelers apagou completamente e teve uma inversão de papéis tão ridícula no segundo tempo que não da pra deixar de notar. E o Mark Sanchez teve um ótimo segundo tempo, um segundo tempo que merece que eu abaixe a cabeça dessa vez e admita que ele jogou muito, ainda que por um tempo insuficiente. É até chato, porque eu gosto de analisar a fundo o que levou cada time a fazer cada coisa, a errar e acertar aqui, mas nesse jogo foi ridículo de simples: Foi a mesma coisa que deu certo e errado pros dois, simplesmente cada um em um tempo. E o Steelers tem que parar com essas oscilações, porque no Super Bowl vai pegar um Packers que, se vacilar, vai engolir Pittsburgh. Tem uma defesa tão boa quanto, senão melhor, um QB de altíssimo nível e um ótimo grupo de recebedores, além de ser um time muito consistente. Perigoso pro Steelers, se começar a oscilar. Mas como tem duas semanas inteiras pra se preocupar com isso, ainda é hora de comemorar ao invés de se desesperar. E, claro, de tirar aquela casquinha do adversário.




terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Resumo da Final de Conferência: NFC

Uma imagem vale mais que mil palavras ou um texto gigante desses


Green Bay Packers 21 vs 14 Chicago Bears
O preview desse jogo está aqui

É verdade que, ao longo dessa temporada da NFL, a gente se acostumou a bizarrices, a maluquices, e a reconhecer sinais do fim do mundo em cada lançamento do que o Derek Anderson acertava. Vimos o John Skelton ganhar uma partida em cima do Drew Brees, vimos o mesmo Saints do Brees perder pro Seattle Seahawks, vimos Buffalo endurecendo pra cima de Patriots e Ravens e tomando surras do Dolphins, o Browns ganhar de Patriots e Saints (Tou começando a achar que o Saints que é o problema da NFL. Maldição do Madden, alguém??), mas talvez esse jogo tenha sido o jogo mais bizarro que a gente viu até aqui por um numero infindável de fatores. Foi um jogo emocionante, disputado, frenético, quem assistiu provavelmente tava suando nos minutos finais da partida, mas foi um jogo bizarríssimo e nenhum dos dois times realmente mereceu ganhar essa partida, se o Roger Goodell tiver bom senso (ou senso de humor) ele elimina logo os dois e coloca o Seahawks no Super Bowl contra o Steelers.

Um forte terremoto está prestes a atingir Chicago


O engraçado desse jogo é que ele trouxe à tona de uma forma extremamente cruel a realidade sobre o Bears, um time que ninguém dava nada antes da temporada começar, todo mundo encarou com ceticismo a escalada deles rumo ao titulo da divisão, mas que chegou na final de conferência: É um time diametralmente oposto. Uma defesa brilhante e um ataque patético. Esse foi, de certa forma, o resumo da partida. Todo mundo sempre colocou em questão o trabalho do QB Jay Cutler ao longo dos últimos anos da sua carreira, desde que saiu do Broncos num problema com o então técnico (E atual coordenador ofensivo do Saint Louis Rams) Josh McDaniels e foi pro Bears. Ele foi uma desgraça no primeiro ano mas, com Mike Martz, melhorou consideravelmente em 2010, teve ótimos jogos, levou o time a uma boa campanha e à final de conferência. Mas ai ele mostrou que realmente é fraco, não é confiável e tem agora até sua carreira em perigo. Bom, talvez carreira seja demais, mas sua titularidade no Bears sim. Se bem que perder a titularidade de QB no Bears é pior que um fim de carreira.

O começo do jogo foi uma prévia do massacre que todo mundo esperava ver. Começou com o Aaron Rodgers pegando a bola no seu campo de defesa, acertar quatro passes incríveis e correr pro touchdown como se estivesse jogando contra o filho e seus coleguinhas. Foram quatro passes de quatro pra 70 jardas, e um TD terrestre pro QB do Packers. O que ele fez contra Falcons e Eagles ele começou fazendo aqui. A defesa do Bears não conseguiu chegar nele, a proteção foi excelente, e Rodgers soube se livrar rapidamente da bola a fim de não dar a chance do Lance Briggs dar um olá amigável pra ele. Só que, a partir do momento que o ataque do Bears pisou em campo, já dava pra ver que isso não ia dar certo. O Matt Forte tava jogando praticamente sozinho, a defesa do Packers tava fazendo a parte dela muito bem e não deixando ele correr com a bola, e no jogo aéreo era o único alvo que estava por perto do Cutler. A pressão chegava por todos os lados no QB do Bears e ele tinha que se livrar da bola rapidamente. A única vez que teve mais tempo, ele errou um passe fácil pro Devin Hester. Triste, triste.

Mas a defesa do Bears acordou pra vida antes que fosse tarde demais. E foi exatamente esse o tom pelo RESTO do primeiro tempo. A defesa do Bears, apesar de estar sofrendo um pouco com o jogo corrido, começou a colocar pressão no Cutler pra forçar seus arremessos, começou a contê-lo no pocket pra evitar suas corridas e seus recebedores estavam sendo bem marcados. Claro que o Rodgers acertou bons passes, é o Rodgers, mas a defesa do Bears conseguiu forçar o punter do Packers a entrar em campo pela primeira vez desde o jogo contra o Eagles. A linha ofensiva do Packers, prejudicada pela lesão do seu melhor jogador na jogada do seu TD, Chad Clifton, começou a não conseguir conter a pressão do Chicago. Lançamentos apressados, alguns desviados, pancadas no Rodgers começaram a acontecer com maior freqüência do que o Packers tinha sofrido até então, e o Rodgers deixou de ficar confortável no pocket. Mas o ataque do Bears ainda era inútil: O ataque terrestre pouco conseguia, e o Cutler não tinha tempo algum no pocket, apressava seus lançamentos de forma muito perigosa que cedo ou tarde ia acabar em interceptação, e quando tinha tempo ele simplesmente queria fazer o difícil e errava, preferia um passe longo incompleto a um curto e seguro, e às vezes queria resolver com as pernas quando valia mais a pena esperar um pouco e ter paciência. A sorte desse ataque é que a defesa, do outro lado, fazia sua parte bem.

Mas ninguém é de ferro. Depois de uma campanha ridícula do Bears que quase acabou num safety graças à estupidez do Jay Cutler, e o punt permitiu ao Packers começar já no campo de ataque, o Rodgers conduziu uma boa campanha que terminou no John Starks entrando na End Zone. Mas pior do que o placar abrindo foi a postura do ataque do Bears. Atrás no placar por duas posses de bola, o time esqueceu totalmente o jogo terrestre e começou a jogar tudo pelo ar. Beleza, o ataque terrestre precisava colocar o Cutler em conversões mais curtas e permitir que ele trabalhasse pelo play action antes de tudo, o que não tava funcionando, mas pelo menos você dava a possibilidade à defesa do Packers de uma corrida, mas o Bears abandonou isso e deixou só o Cutler passando - e errando - a bola. Foi facílimo pra defesa do Packers, a quantidade de passes errados e de blitzes que a gente via por campanha do Bears era uma coisa absurda. Alem disso, os passes incompletos paravam o relógio, e o ataque perigosíssimo do Packers logo voltava a campo com bastante tempo. A sorte é que a defesa do Bears estava tendo um jogo formidável, parou os avanços curtos, conseguiu colocar pressão no QB e forçar passes rápidos pra ganhos menores, e evitar pontos acima de tudo. Mas o ataque do Bears tentou estragar tudo com um sack e fumble do cornerback Sam Shields, mas por sorte Forte recuperou. No final do quarto, o ataque do Bears teve mais uma chance depois que a pressão da defesa do Bears forçou um passe ruim, muito baixo, de Rodgers pra Donald Driver. Mas por azar, a bola bateu no pé de Driver e subiu pra ser interceptada por Briggs. Mas claro que o Cutler fez questão de forçar o passe e devolver a interceptação, de novo pro Shields, pra encerrar o primeiro tempo. 14 a 0 Packers. Se ainda tinhamos um jogo nesse ponto, era por causa da defesa do Bears. O ataque do Bears foi incapaz de fazer nada e ainda expos demais a defesa, porque não corria com a bola, não conseguia primeiras descidas e portanto o Packers ficava tempo demais com a bola. A defesa fez milagre pra manter o placar assim.

No começo do segundo tempo, parecia que ia se repetir o começo do primeiro: Jay Cutler incapaz de converter uma 3rd and 4, e a bola voltando pro Packers. Do seu campo de defesa, Rodgers conduziu uma ótima campanha e, com ajuda de uma pass interference, colocou a bola na red zone adversária. Mas no que seria um passe curto pro Driver entrar na end zone fazendo moonwalk, o Brian Urlacher apareceu muito bem e interceptou o passe. Passou por todo o ataque do Packers e ia levar a bola do outro lado do campo se o próprio Rodgers não aparecesse pra fazer um tackle salvador no Urlacher, um tackle salvador porque com certeza essa bola só ia parar na end zone se o QB não estivesse ali.


Jogo dos sete erros nessa imagem, valendo!

Mas a alegria do Bears durou pouco, porque a situação começou a ficar ainda mais bizarra. Quem voltou pra campo não foi Jay Cutler. Foi Todd Collins. Cutler estava fora de campo, de pé no banco de reservas, com uma lesão. Voltarei a isso mais tarde, mas Collins é muito fraco. Se o titular ja é fraco, imagina o reserva. Ele tentou três passes, errou os três, quase foi interceptado em um deles e quando acabou a campanha ele voltou pro banco de reservas e quem começou a aquecer foi o terceiro QB, Caleb Henie.

A bola era do Packers, mas o segundo tempo era mesmo da defesa do Bears. O time colocou muita pressão no Rodgers do começo ao fim, a secundária se superou e cobriu perfeitamente os recebedores do Packers, o Rodgers não estava tão inspirado como nos outros jogos e a defesa do Bears não deixou que ele pegasse o menor ritmo, cada vez que entrava em campo tinha alguém no cangote dele, ele tinha que se livrar da bola porque não teve tempo suficiente e não achava ninguém livre, e fez o trabalho que ninguém fez mas todos adorariam ter feito nesses playoffs, parou Aaron Rodgers. A bola voltou pro Bears e Collins voltou pra campo, mas apenas pra errar mais um passe, não conseguir um first down e sair, dessa vez definitivamente. Quando a bola voltou pro Bears, o bizarro passou pro ridículo: quem entrou foi Caleb Henie.

Primeiro eu tenho que destacar o bizarro dentro do bizarro disso. Henie, o terceiro QB, foi listado como 'inativo' pelo Bears antes da partida. O fato dele entrar em campo significava que os dois QBs listados na frente dele na planilha não poderiam mais voltar pra campo. Se ele levasse uma pancada e se contundisse, nem Cutler nem Collins poderiam voltar, teriam que colocar um jogador de outra posição pra jogar de QB ou então ligar pro Derrick Rose e ver se ele entrava lá, ele é mais QB que qualquer um naquele time. Segundo que o Henie, QB no seu terceiro ano de Liga, tinha jogado apenas quatro jogos na sua vida e em nenhum começou de titular. Nessas quatro partidas, seu rating era de 38. Então começa a dar pra perceber porque essa entrada foi tão bizarra e pegou tanta gente desprevenida. Mas Henie entrou e contou com uma campanha brilhante do Matt Forte pra levar o time pra frente. Forte correu muito bem com a bola, recebeu passes curtos, e arrancou primeiras descidas na marra. Henie se aproveitou disso e, vendo a defesa aberta, acertou belo passe pro Johnny Knox que só foi parar na linha de uma jarda. Chester Taylor anotou os primeiros pontos do Bears.

E, de repente, o que já estava bizarro começou a ficar definitivamente assustador. Henie, um QB que nunca fora e nunca era pra ser nada na Liga, ia entrar e conseguir uma virada histórica sobre o time mais badalado da Liga? A defesa do Bears realmente parecia disposta a ajudar o moleque: Duas vezes seguidas parou o Packers a tempo de impedir que um FG fosse possível, e manteve o placar em uma posse de bola e o ataque do Packers o menos possível em campo. Uma performance perfeita da defesa do Bears no segundo tempo, jogando com muita vontade. Mas Henie, que já estava numa fria, fez o que o torcedor do Bears temia desde o começo: Um passe curto sue foi interceptado pela jamanta Nose Tackle BJ Raji e levada até o touchdown pela criança de 150 kg que jogou muito bem essa temporada no lugar do suspenso Johnny Jolly. Parecia o fim do jogo mesmo, mas Henie se redimiu da melhor forma possível: Na campanha seguinte, depois de uma primeira descida pelo meio, até o próprio time do Bears se surpreendeu com Henie, que começou a chamar o ataque sem conferência. Três jogadas no shotgun consecutivas, três passes completos, o ultimo deles uma linda bola pro Earl Bennett anotar um TD de 35 jardas contra uma defesa do Packers pega de surpresa pelo no huddle, lindo de se ver.

O Packers só precisava agora tomar conta da bola. 7 pontos na frente e 4 minutos e meio no relógio, era correr com a bola, gastar o relógio e tentar converter uma ou duas primeiras descidas. Sem tempos pra pedir caso desse certo, a situação ia ser bem difícil pro calouro. Mas a defesa do Bears, novamente, não permitiu, e com 3 minutos a bola voltou pras mãos de Henie. E o Henie começou a jogar muito bem contra a forte defesa do Packers. A pressão apertou as vezes, forçou passes errados, mas de forma geral ele se movimentou muito bem, soube sair do pocket, evitou a pressão e evitou também fazer o difícil. Se manteve no fácil, passes curtos e médios, e foi ganhando confiança, colocou a defesa do Packers no bolso e continuou jogando como quis. Até que, no campo de ataque, numa 3 pra 3 jogadas, com o Henie jogando bem e tendo controle da defesa do Packers, com o relógio no final, o Martz me faz uma loucura, e chama uma jogada de corrida. Pior, com o Earl Bennett, um Wide Receiver!! Eu até agora tou tentando entender isso. Você tem uma conversão curta, um QB que tá desmontando a defesa do Packers nesses passes curtos, um QB que tem mobilidade pra conseguir converter com as pernas se precisar. Mas resolve correr, e você tem um RB que ta jogando com a vontade de um leão em busca de carne, que ta arrancando jardas na marra e que também ta destruindo a defesa do Packers no Forte. Mas você da a corrida pro Earl Bennett, repito, um receiver??? Cara, foi a pior decisão que eu vi em muito tempo! Nem preciso falar que deu errado e o Bennett perdeu duas jardas na jogada, né? Colocou o Henie numa quarta pra cinco jardas, sem condições de FG. O moleque ficou muito mais nervoso, é uma conversão muito mais difícil, e você tem uma jogada a menos pra isso. O garoto sentiu a pressão e o passe na direção do Knox foi interceptado por, adivinhe, Sam Shields, dessa vez pra encerrar o segundo tempo.


Erik Walden acende um baseado pra comemorar a vitória

Preciso reforçar aqui a vergonha que eu senti vendo esse time do Bears jogar no ataque, e a inspiração que foi esse time jogando na defesa. Tudo bem, deixou o Rodgers anotar 14 pontos no primeiro tempo, mas a gente tem que lembrar primeiro que estamos falando do ataque do Packers, que massacrou o Falcons, que tem um dos melhores QBs do jogo e um dos melhores grupos de recebedores. Alem disso, o ataque do Bears, como eu já disse, foi incapaz de converter qualquer coisa, errou mais passes do que acertou, não ficou nada com a bola, e com isso deu muitas chances ao ataque do Packers, expos demais a sua defesa. E a defesa do Bears fez milagre. Jogou com uma vontade incrível, colocou pressão no Rodgers como ninguém tinha conseguido, deixou ele desconfortável o jogo todo, acertou alguns sacks bem dados, contou com uma cobertura bem feita (ajudada, claro, pela pressão) e trocou a marcação durante todo o jogo. O trabalho da defesa do Bears foi fantástico, a garra e a vontade que eles mostraram foi ainda mais incrível, e se o Bears não está no Super Bowl sentindo saudades do Rex Grossman é justamente porque eles estão nesse exato momento sentindo saudades do Rex Grossman!! Durante todo o tempo que Cutler e Collins estiveram em quadra, o Bears foi um time morto. Não corria com a bola porque estava atrás no placar e portanto não gastava o relógio e obrigava sua defesa a ir lá e fazer o que ninguém tinha feito até então nos playoffs. A situação só mudou com o Henie, porque o Martz ficou com medo de deixar ele com a bola nas mãos e colocou o Forte pra correr novamente, e ai ele foi arrastando todo mundo, criou espaços e deu opções pro Henie, e mudou o jogo em favor do Bears. O time começou a correr, controlou o relógio e abriu a defesa, o que deveria ter feito desde o começo. Não fosse o fato do Henie não ser um grande QB, não ter experiência e que nunca deveria ter entrado numa fria como a que entrou, o Bears teria conseguido uma das maiores viradas da história dos playoffs. Porque sua defesa jogou como uma defesa campeã e conseguiu deixar o ataque do Packs estagnado. Pena que o ataque simplesmente é ruim demais pra conseguir pontuar.

O problema maior é pro Cutler, que saiu e colocou o time numa tremenda fria (como se já não estivesse com ele jogando). A razão oficial foi uma lesão, mas ele não foi pro vestiário se tratar ou algo assim. Simplesmente ficou do lado de fora de campo, de pé, olhando pro campo. A NFL não é uma Liga fácil, os jogadores levam muita pancada e tem que aprender a viver e jogar com isso. Mas o Cutler simplesmente se mandou, saiu e o time ficou numa fria sem ter quem colocar em campo, mesmo ele estando ali de pé do lado do gramado. Se ele conseguia ficar ali de pé e andar pra ca e pra lá, porque não entrou em campo?? Podia não estar 100%, mas se tinha condições de jogar, deveria ter jogado. Vale lembrar do Phillip Rivers jogando uma final de conferência com o ligamento rompido, ou o Tom Brady jogando os playoffs do ano passado com duas costelas quebradas. Os jogadores ao redor da Liga começaram a questionar a vontade do Cutler, e apesar de exageradas, algumas analises chegavam a falar que podia ser o fim da sua carreira depois da péssima atuação na partida. Hoje o resultado da lesão saiu e disseram que foi uma lesão leve nos ligamentos do joelho. Uma lesão chata, que atrapalha o movimento da perna, é claro, mas já vimos jogadores com lesões mais sérias jogando. Ai fica a critério de cada um avaliar o comportamento do Cutler. A seu favor, vale lembrar que ele foi sackado mais de 50 vezes essa temporada.

Sobre o Packers, eu vou falar mais outro dia, quando começar a falar do Super Bowl. Mas o Packers teve algumas fraquezas expostas pelo Bears e o Steelers com certeza vai trabalhar em cima disso. Mas por outro lado, teve um lado positivo, que foi o jogo do Rodgers. Apesar de um bom jogo, Rodgers terminou com um TD terrestre e duas interceptações, alem de um segundo quarto apagadíssimo, em boa parte por causa da forte defesa do Bears. Porque isso é bom? Porque tira um pouco o hype sinistro que tava tendo em volta dele, depois das atuações monstruosas nas primeiras rodadas. Essa atuação mais fraca mostra que o Rodgers é humano, que ele erra e tem jogos ruins como todo mundo, e é tudo que o Packers queria pra acalmar um pouco e tirar a pressão da imprensa de cima dele. Além disso, como eu sempre afirmo, um time que não perde não conhece seus defeitos. O Packers não perdeu, mas teve suas fraquezas expostas e agora tem duas semanas pra trabalhar com isso. Mas, por enquanto, fica a comemoração por mais um Super Bowl, muito merecido, e liderado por esse brilhante QB. Shoryuken!



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Eu preferi separar os jogos pra poder falar mais de cada um, sem me preocupar com o tamanho. Amanha trago o outro jogo.

Só pra comentar, a gente criou um endereço de email pro caso de alguém querer entrar em contato com a gente. Seja par comentar alguma coisa, fazer sugestão, ou simplesmente trocar uma idéia. Se não quiser fazer nos comentários, pode mandar o email que nós prometemos responder assim que der. O endereço ta ali do lado, tmwarning@hotmail.com .

domingo, 23 de janeiro de 2011

Preview: New York Jets at Pittsburgh Steelers

James Harrison quer descobrir se o sangue do Mark Sanchez é verde

Quando duas das melhores defesas da NFL (talvez até mesmo as duas melhores) se enfrentam, geralmente a gente pensa em jogos de placares baixo. Não é a toa, claro, se você tem duas unidades fortíssimas evitando os pontos e duas unidades não tão boas tentando marcar os pontos. Mas as vezes a gente se surpreende, como no jogo entre Steelers e Ravens. Porque as defesas são tão boas e forçam tantos turnovers que pro ataque pontuar é fácil. O Ravens marcou 24 pontos tendo só 160 jardas totais no jogo todo, fruto de vários turnovers de sua defesa. Mas a gente não pode esperar tanto isso nessa partida simplesmente porque a defesa do Jets  não é tão boa forçando turnovers quanto a defesa do Ravens. Portanto, é mais fácil imaginar um jogo de placar baixo, apertado, com os dois QBs tomando pressão o jogo todo e os jogos terrestres tendo dificuldade pra se estabelecerem. E num jogo tomado por tanta defesa, pra ganhar a chave é produzir melhor no ataque, aproveitar as chances que sua defesa criar e não desperdiçar a bola, evitar turnovers e faltas e tentar ganhar jardas aos poucos, sem desperdiçar chances.

As chaves da partida para o Steelers:
O Steelers tem uma enorme vantagem sobre os outros dois adversários do Jets essa temporada, a sua defesa. Tanto Patriots como Colts tinham uma defesa muito fraca, uma unidade inconsistente, e que o Jets conseguiu lidar com relativo sucesso com base no seu jogo terrestre e deixando o Mark Sanchez lançar só bolas curtas ou bolas pegando a defesa despreparada pra um passe longo, principalmente play actions. Nenhum dos dois conseguiu pressionar o Sanchez direito, deu tempo pra ele pensar e sobreviveram bem mais na incompetência do garoto que no talento de suas defesas e na capacidade delas de pararem o ataque do Jets, alem de terem sido bem exploradas pelo forte jogo terrestre do Jets. Eram times que viviam pelos seus fortes ataques, ataques que combinaram atuações fracas (A do Patriots muito mais abaixo da media do que a do Colts) e atuações fantásticas da defesa do Jets, e ai não conseguiram pontuar tanto, a defesa não conseguiu segurar muito, e o Jets saiu vencedor porque nesse esporte conhecido como futebol americano ganha quem tem mais pontos, simples assim. Mas o Steelers não só tem uma defesa mais forte que a dos outros dois - até porque não é algo difícil - como tem uma defesa fortíssima, pra mim a melhor da NFL, e não vai dar um segundo de sossego pro ataque do Sanchez. E é exatamente isso que eles tem que explorar, a vantagem que eles tem quando o ataque do Jets está em campo: Eles tem que ser agressivos, contar com sua fortíssima linha de frente pra segurar o jogo terrestre do Jets e colocar pressão demais no Mark Sanchez, o que nem o Pats nem o Colts conseguiu fazer direito. O Sanchez tem que ficar em situações de passe e, nessas situações, ter que se preocupar mais com o James Harrison fungando no seu pescoço do que no lançamento. O Sanchez é ruim, mas com tempo ele vai completar seus passes, até porque conta com bons alvos. O Steelers tem que pressionar ao máximo o Sanchez e o jogo terrestre pra tornar o ataque não só unidimensional e previsível mas também porque é a melhor forma de forçar turnovers, através de sacks (o Sanchez não protege bem a bola, e não adianta muito proteger a bola se é o Harrison que vai te acertar) e fazendo o Sanchez forçar os passes. E como eu já disse, produzir turnovers é a melhor forma de colocar seu ataque numa situação de pontuar. E acho que uma trombada dessas ajuda a produzir uns fumbles:


O Steelers também tem que fazer exatamente o oposto no ataque: Proteger o QB, estabelecer o jogo terrestre, e proteger a bola. De certa forma, o time tem que fazer exatamente o que fez contra o Ravens, colocar pressão, parar o jogo corrido, jogar curto no ataque, ter paciência, gastar o relógio e aproveitar os turnovers. A diferença é que o Steelers deve ter mais facilidade pra parar o ataque do Jets, simplesmente porque o jogo terrestre é uma preocupação com o Troy Polamalu voando na secundária pro Jets e era uma arma possível pro Ravens antes do Joe Flacco amarelar feio e errar toda vez que tocava na bola. Mas no ataque são dois times parecidos e o Steelers tem que enfrentar como fez de forma eficiente no segundo tempo contra o Ravens: passes curtos, estabelecer o jogo terrestre nem que seja pra conversões curtas, e soltar o braço quando o Ben Roethlisberger, que é um QB muito inteligente, perceber que tem espaço. O  Mike Wallace, que pra mim é um dos WRs mais underrateds e com o cabelo mais feio da NFL, vai ter que aparecer bastante com sua velocidade pelo meio, principalmente se o Darrelle Revis tiver sucesso em parar o Hines Ward. E o Big Ben também vai ter que usar e abusar da sua melhor característica, que é a capacidade de render em altíssimo nível saindo do pocket e sob pressão. Com essa mobilidade e esse talento bizarro de jogar melhor com gente pendurada no pescoço dele, ele é capaz de evitar as blitzes do Jets por algum tempo correndo e saindo do pocket, comprando um tempo importantíssimo pra um time com uma linha ofensiva esburacada, e é um QB absolutamente fantástico quando tem gente pendurada no pescoço dele, é como se ele jogasse melhor assim (E ele joga!) e portanto essa habilidade de comprar tempo é muito perigosa pro Jets e uma arma que o Steelers pode usar com sucesso pra abrir a defesa do Jets e, claro, evitar sacks.

As chaves da partida para o Jets:
Eu pessoalmente não gosto do Jets, acho o Jets um time fraco no geral, um time que engana com uma boa defesa as muitas falhas que tem. Também não gosto do Jets pessoalmente, talvez porque acho o Rex Ryan um tremendo pentelho. Mas não da pra negar que seja um time muito interessante.

O Jets desse ano é um time de restolhos, um time que juntou varios jogadores que ninguém mais queria ao redor da Liga, jogadores que por alguma razão eram desacreditados ou cotados como causadores de problemas. Foi assim que o time conseguiu, a preço de banana, jogadores como Braylon Edwards, que deixou a galera em Cleveland louca da vida de dando deixar cair bolas e com seus problemas fora de campo, Antonio Cromartie e Santonio Holmes, outros dois jogadores que apesar de muito bons tinham problemas extra-campo demais pro gosto dos seus times, foram trocados também antes que pudessem soletrar ‘Roethlisberger’. E o Ladainian Tomlinson, que foi um dos maiores RBs de todos os tempos mas que estava muito mal em San Diego, foi o principal desses, foi o melhor corredor do seu forte ataque terrestre e tem jogado muito bem nessa temporada. O LT não funcionava mais em San Diego, e a saída dele foi boa pros dois, ele teve a chance de recomeçar em outro lugar e o Chargers pode recomeçar com outro RB, sem a pressão que ter o LT no time trazia. E o Jets trouxe todos esses jogadores, velhos, desacreditados ou encrenqueiros, e o Rex Ryan transformou todos eles em um time, um time unido e com vontade de vencer. Eu sempre critico o joguinho psicológico, a provocação explicita que o Rex Ryan adora fazer antes de cada jogo, todo aquele trash talk que tanto irrita a gente, mas com o tempo isso virou uma identidade pro time, a identidade de um time que quer superar todo mundo, que quer mostrar pra todo mundo que eles são os melhores, e que combina perfeitamente com o grupo que o Ryan montou. Eu acho o Ryan um pentelho, mas eu tiro o chapéu pro que ele anda fazendo como técnico em New York. E essa união, essa gana dos jogadores tem sido a maior arma do time. O time joga do começo ao fim como se fosse o ultimo jogo da vida, cada jogador se supera dentro de campo pra fazer o possível pro time como um todo funcionar. O que venceu um Patriots que, apesar de muito melhor, entrou sonolento, desconcentrado, e muitas vezes ficou perdido em campo. O Jets é um time chato, mas muito interessante.

Mas claro que isso não vai fazer o time ganhar sozinho. E o time tem ganho porque conta com uma defesa excepcional e tem como técnico um dos melhores coordenadores defensivos que já pisou nesse Planeta. A defesa do Jets (Apesar de ter contado com uma partida do ataque do Patriots bem abaixo do que ele pode render) tem sido quase perfeita nesses playoffs, tem colocado pressão no QB com varias blitzes elaboradas, a especialidade do Ryan, viu o Darrelle Revis jogar como um monstro de novo, viu a linha defensiva formar uma parede, e viu o time colher os frutos com boas vitórias fora de casa. E se o time conseguiu parar Peyton Manning e Tom Brady, não vejo porque não pode parar o Ben Roethlisberger. O Big Ben tem um elenco de apoio melhor que o do Manning, que só tinha de confiavel o Reggie Wayne, que foi anulado de forma perfeita pelo Revis, e precisa entrar em campo mais ligado do que o Brady, alem de ter uma característica muito perigosa pra essa defesa que os outros não tinham: ele é excelente saindo do pocket. Eu falei ali em cima de como ele é ótimo usando as pernas pra ganhar tempo e ainda melhor fazendo passes com gente fungando no seu cangote. E portanto o Jets não só tem que ir pra blitz, mas tem que ser muito eficiente nela: O Big Ben é um QB muito forte e que quebra muitos tackles, o Jets tem que dar a pancada nele direito, de forma que ele não tenha como fugir. E melhor ainda se conseguir trazer a pressão pra dentro do pocket, cercar o Big Ben de forma que ele tenha que ficar dentro do pocket, sem tempo como é a função de qualquer blitz, claro, mas sem poder sair do pocket, ganhar tempo e passar em movimento. Conter essa movimentação lateral do Big Ben é tão importante quanto colocar uma boa pressão nele. O Jets também deve explorar a pouca opção de recebedores, caso o Hines Ward - a jogada de segurança do Big Ben - esteja sendo anulada pelo Darrelle Revis. O Wallace é ótimo, mas sozinho não vai resolver nada contra uma secundária forte e o Antonio Cromartie se tiver inspirado, então usar a secundária nas bltizes pode ser bom não só como blitz mas também pra confundir o Big Ben. E tem que tomar cuidado com os passes longos, embora o Ben tenha provado que é capaz de viver de passes curtos contra o Ravens, ele ainda tem uma das melhores - pra mim A melhor agora que o Brett Favre ja era- bomba da NFL, então um descuido da defesa do Jets pode resultar num ganho de 50 jardas.

O problema do Jets realmente vive no ataque. E é essencial, mais do que nunca, que o Jets consiga correr eficientemente. Pelo meio, pelas pontas, de trenzinho, não importa, o Jets tem que conseguir usar seu jogo terrestre. A secundária do Steelers é extremamente forte e vai comer vivo o Mark Sanchez se o Jets não conseguir impor sua força pelo chão e conseguir conversões mais curtas pro Sanchez tentar. O Sanchez pode conseguir descolar um passe mais longo caso a defesa do Steelers esteja focada na corrida, mas pra isso a defesa vai ter que se preocupar com ela a ponto de colocar o Polamalu mais próximo da zona de scrimmage freqüentemente. E o Sanchez tem que tomar decisões inteligentes com a bola na mão. Jogar a bola fora ao invés de forçar um passe quando estiver sob pressão, saber quando soltar a bola e tentar fugir ou quando é pra engolir o sack, e principalmente cuidar bem da bola. Turnovers sempre são destrutivos pra um time, mas eles tem um peso ainda maior quando o jogo é uma batalha entre dois times com defesas fortes, como eu não canso de afirmar jogo após jogo nesses playoffs. Um turnovers geralmente impede que você marque pontos ou coloca o adversário numa boa posição de campo pra anotar os dele, e desperdiçar oportunidades e ceder pontos fáceis pro adversário é o que ferra um time num jogo entre boas defesas.

Palpite: O Steelers vai para o Super Bowl pela milésima vez, porque o ataque do Jets vai ter problemas contra a defesa do Steelers e o Sanchez raramente é capaz de ganhar jogos por conta própria.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Preview: Green Bay Packers vs Chicago Bears


Todo o estilo da época que Bears e Packers viveram seus anos
de ouro, quando a gente ainda andava de bonde, tinha medo da
União Soviética e o Uruguai era uma potência no futebol.

Apesar de somarem apenas quatro Super Bowls (O Steelers sozinho tem seis), Chicago Bears e Green Bay Packers são duas das franquias mais vitoriosas e tradicionais da NFL. Antes da criação do Super Bowl - e o começo da Era do Super Bowl, que é tido quase como a parte moderna do futebol americano - Packers e Bears foram duas das principais, senão as duas principais, franquias da época. Os times somaram dezenove títulos nessa era pré-Super Bowl, foram as franquias dominantes, com jogadores lendários como Don Hutson (o da foto) e criaram, desde essa época, uma fortíssima rivalidade. Essa rivalidade atravessou toda a história da NFL, e até hoje é uma rivalidade intensa que só aumenta com o fato de Bears e Packers se enfrentarem duas vezes todo ano por pertencerem à mesma divisão. Talvez não haja tanto ódio e não seja tão pessoal como um jogo entre Steelers e Ravens, no que diz respeito a quem está dentro de campo, mas pensando na definição clássica de rivalidade, não ha uma rivalidade na NFL maior do que essa, é a que está a mais tempo ai, é a que mais foi marcante pra história da Liga e sempre esteve aquecida, mesmo com um dos times (ou os dois) em baixa. Para deixar duas pessoas que entendem um pouco mais do assunto que eu explicarem:
video

Até hoje nunca vi um vídeo que explicasse melhor o que é uma rivalidade, ainda mais com essas duas lendas lado a lado na tela.

 
As chaves da partida para o Bears:
Uma jujuba da marca "TM Warning" pra quem descobrir o que vem a seguir. Pois é, parar Aaron Rodgers. É o que a gente chama de idéia original. E se parar Rodgers já é difícil, parar Rodgers nos playoffs está praticamente impossível, porque o bigodudo ta pegando fogo e ta fazendo miséria com quem ele pega pela frente. Mas tudo bem, o que o Bears tem que fazer pra pelo menos aumentar suas chances é a questão aqui. O Bears tem uma secundária, embora não horrorosa, frágil. Não tem um grande defensor no mano a mano nem um safety que força turnovers. É uma unidade que não vai ferrar tudo, mas que também não vai fazer um milagre, não vai ganhar jogos, como por exemplo as secundárias do Jets, Steelers ou Ravens. Mas o Bears tem uma coisa que nem Eagles nem Falcons tinham num nível elevado: pass rush.

Quando você enfrenta um QB dominante, não importa as características, você tem que usar e abusar do pass rush pra ter uma chance. Tem que manter ele em movimento, ter alguém apressando seus lançamentos pra que não possam ser mirados direito, alguém que tire o QB da sua zona de conforto e que possa atrapalhar seus lançamentos. O Rodgers já é ha algum tempo um QB que, se tiver tempo, vai achar o alvo e vai conseguir o que quer, e o fato dele contar com um dos melhores corpos de recebedores da NFL não ajuda sua situação. Deixar o Rodgers quieto é pedir pra perder o jogo. O Rodgers tem conseguido se virar bem mesmo quando tem pouco tempo, mas no único momento desses playoffs que um time conseguiu efetivamente chegar no cangote do Rodgers mantendo-o no pocket, que foi contra o Eagles, foi a única hora que ele parou de lançar touchdowns. A chave pro Bears é a mesma, pressionar o QB, só que tem que fazer de forma mais eficiente do que os outros times, não dar sossego pro Rodgers e tentar limitar sua produtividade assim. Pode não dar certo, ele pode conseguir tirar aqueles passes maravilhosos enquanto corre pro lado, mas sua única chance de parar o Rodgers com uma secundária mediana é o Julius Peppers fungando na orelha dele. O Bears tem uma linha de frente que está entre as melhores da Liga e tem um pass rush muito mais eficiente do que Eagles e Falcons, e tem que usar essa linha de frente de formas criativas, cobrindo passes curtos pro RB e impedindo que o Packers estabeleça um jogo de corrida, mas mais do que isso tem que mandar gente atrás do Rodgers o jogo todo, e a linha de frente é o primeiro passo pra conseguir isso.

O Bears também foi um time que me surpreendeu ao longo da temporada e também no primeiro jogo dos playoffs contra o Seahawks pela capacidade de adaptação. O time entregou o ataque ao Mike Martz, o novo coordenador ofensivo, que deu vida nova ao ataque e ao Jay Cutler. O esquema que o Martz usa é chamado de Air Coryell, e um dia eu ainda vou fazer um post explicando a diferença entre o chamado West Coast Offense e o Air Coryell, são dois esquemas muito parecidos, tanto que o próprio Bill Walsh chamava o Air Coryell de "O verdadeiro West Coast Offense", mas ambos enfatizam as mesmas coisas: jardas após a recepção, passes curtos e médios, entre muitas outras coisas. E esse esquema caiu bem pro Cutler porque usa o braço forte do QB e os recebedores dinâmicos que o time tem, e no começo foi responsável por uns jogos absurdos do Matt Forte onde o RB tinha duas vezes mais jardas aéreas do que terrestres, um Marshall Faulk piorado. Esse ataque foi responsável pelo inicio avassalador de temporada do Bears, até que os times começaram a perceber o problema desse esquema. O Bears tem uma linha ofensiva patética, de dar dó, e no começo o Martz (Que sempre deixou seus QBs morrerem com esquemas fracos de proteção) até conseguiu cobrir isso com trocas de marcação e pacotes usando TEs e RBs de bloqueadores, mas com o tempo foi simplesmente ficando demais pra proteção acompanhar e o Cutler começou a ser sackado num ritmo que nenhum QB na Liga agüentaria, o que o levou até a perder alguns jogos por contusão. Eu parei de acompanhar jogos do Bears por algum tempo e só comecei a ver alguns flashes mais pro final da temporada. E fiquei surpreso ao ver que o Bears foi capaz de se adaptar a isso com uma solução simples: Correr com a bola. Em qualquer West Coast Offense do mundo o RB é usado muito como recebedor, o Roger Craig do 49ers do Walsh foi o primeiro RB com 1000 jardas aéreas e terrestres na mesma temporada, e o Forte tava fazendo sua temporada recebendo passes curtos do Cutler. Mas frente aos problemas em ter tempo pra soltar a bola, e também o fato de que o Cutler tende a perder a cabeça e fazer jogadas idiotas quando se sente pressionado, o Bears recorreu ao jogo terrestre como uma forma de tirar as mãos da bola do Cutler. E tem que continuar fazendo isso, até porque o pass rush do Packers tem tudo pra brincar com a cabeça do Cutler o dia todo. Colocar o Forte e o Chester Taylor pra correr, tirar a pressão do Cutler, impedir que ele tenha que sofrer porrada o dia todo e colocar o  Cutler pra lançar como um recurso ofensivo, não como uma obrigação, principalmente trabalhando no play action, é a chance do Bears. A defesa do Packers é muito melhor que a do Seahawks, claro, mas deu certo - e muito - contra Seattle. E, claro, é bom pra deixar o Rodgers sentadinho no banco, sem nenhuma bola na mão que ele possa colocar na end zone do Bears, sem jogar e sem estabelecer um ritmo que lhe seja confortável.

Também não seria nada mal explorar os retornos: O time de especialistas do Packers é fraco e o Devin Hester é o maior retornador de todos os tempos. O Hester tem que tocar na bola o máximo possível, retornando kickoffs, punts, até em passes curtos, a velocidade dele é incrível e tem que aproveitar cada oportunidade que tiver pra ganhar jardas.


As chaves da partida para o Packers:
Eu confesso que eu era um cético sobre a linha ofensiva do Packers. Ela foi extremamente fraca em 2009, fez o Rodgers sofrer demais com sacks, e em 2010, embora tenha melhorado, ainda esteve longe de ser confiável, as vezes era vulnerável demais e as vezes tinha boas partidas. Eu confesso que não confiava nela, achei que ela ia ser um ponto fraco a ser explorado nesses playoffs, mas ela tem jogado muito bem. Não só tem jogado muito bem abrindo caminho pros RBs do time, mas tem protegido o Aaron Rodgers muito bem, dando a ele tempo pra fazer o que ele sabe fazer melhor, ser bom. Verdade que, como eu disse ali em cima, o pass rush do Bears é melhor que os que eles tiveram que enfrentar do Falcons, um time que tem certa dificuldade com o rush, e do Eagles, que tem dois bons DEs e só, mas contra quem o Packers enfrentou problemas no fim da partida por causa desses DEs. A maior chance do Bears parar o ataque aéreo do Packers é com sua forte linha de frente, parando o jogo terrestre, colocando o Rodgers em situações obvias de passe e ai mandar a casa pra cima dele pra tentar impedir ele de passar a bola como quer. Portanto, a linha ofensiva tem que continuar se mostrando solida, mas dessa vez vai ter que elevar seu jogo mais um nível, porque é o que vai acontecer com o nível da adversária. Ou pelo menos da linha de frente dela. Só pra deixar claro, 'linha defensiva' e 'linha de frente' são conceitos diferentes, a linha defensiva são os DEs, DTs e NTs, e a linha de frente engloba todo mundo que fica ali na linha de scrimmage, ou seja, a linha defensiva mais o corpo de LBs.

Na defesa o Packers tem uma vantagem substancial sobre o ataque do Bears, porque nos confrontos individuais o Packers leva vantagem em quase todos. A secundária do Packers é superior individualmente ao corpo de recebedores do Bears, e a linha de frente - em especial os linebackers - tem uma vantagem gritante sobre a linha ofensiva do Bears. O Packers tem colocado muita pressão nos adversários a temporada toda, e não sei por que seria diferente aqui, até porque é contra uma linha ofensiva bem mais vulnerável e um QB que não trabalha bem sob pressão. O Packers tem que tomar só cuidado pra não ser queimado nos passes curtos pro Forte, e tem que fazer bem o papel de parar o jogo terrestre do Bears, porque quanto mais unidimensional se tornar o ataque do Bears, maior a chance da secundária ridiculamente forte do Packers forçar turnovers, a especialidade da defesa. O Cutler não é um grande leitor de defesas e o PAckers pode ter muito sucesso mandando o Charles Woodson na blitz, o Woodson é um safety muito físico que é excelente dando tackles e sacks, e por isso ele pode fazer o papel da blitz ou até da cobertura por zona pelas laterais do campo próximo à linha de scrimmage, porque ele pode tanto ir atrás do Cutler como pode evitar os passes curtos com sua velocidade e atleticismo. A secundária do Packers deve dar conta dos WRs do Packers mesmo sem o Woodson, então é uma boa usá-lo pra confundir o Cutler. O segredo pro Packers aqui, mais do que mudanças táticas, é continuar fazendo com eficiência o que tem fazendo: Pressionar o QB, segurar o jogo terrestre e forçar conversões difíceis onde força turnovers.

Também o time tem que tomar cuidado com o Devin Hester. Os especialistas do Packers são fracos, ja cederam um TD nesses playoffs, e o Hester é capaz de fazer a festa o dia todo, inclusive ja fez um TD contra o Packers essa temporada regular. O punter tem que estar ligado e o time tem que estar disposto a chutar algumas bolas pra fora de campo, mesmo que assim você de algumas jardas pro Bears, do que se arriscar a um retorno ainda maior do Hester.

Palpite: Não consigo ver o ataque do Bears passando consistentemente pela defesa do Packers, e é o que o time precisaria fazer pra ganhar essa partida. Acho que da Packers, merecidamente, no Super Bowl.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A reconstrução que não acaba nunca

Os problemas atuais do Wolves começaram com esse magrelo ai

No Draft da NBA de 1995, o Minnesota Timberwolves tinha a quinta escolha da noite. Quem foi escolhido naquela noite em primeiro lugar foi Joe Smith, hoje no Lakers e que nunca fez nada pra justificar essa escolha alta, mas que pelo menos não pagou mico como outras primeiras escolhas. E embora o Wolves não tivesse uma das três primeiras escolhas do draft, apostou na sua escolha e saiu de lá com o melhor jogador do Draft. Digo que apostou porque draftou um moleque magrelo vindo direto do High School, a primeira vez que um jogador do High School era draftado direito em vinte anos, desde Darryl Dawkins e Bill Willoughby em 1975. Seu nome era Kevin Garnett, vindo de uma High School em Chicago. De certa forma essa escolha começou uma tendência na época de draftar jogadores diretos do High School, e nos anos seguintes vimos jogadores como Kobe Bryant, Tracy McGrady, Jermaine O'Neal, Lebron James, Amare Stoudamire e Dwight Howard serem draftados direto de lá, jogadores que fizeram muito sucesso na Liga. Mas tinha o reverso da moeda: muitas vezes jogadores que muita gente via destruir nos torneios da High School pulavam direto pra NBA via draft, mas quando chegavam lá se mostravam muito crus, imaturos e não rendiam, é muito mais fácil você dominar o basquete em nível colegial só com força física do que o College ou a NBA. Quem já viu algum vídeo de jogadores como Vince Carter, Dwight Howard, Lebron James ou Amare Stoudamire no colegial sabe do que eu tou falando, e quem não viu deve correr direto pro youtube (Ou pra esse post genial do Bola Presa) pra entender. Talvez o exemplo mais famoso desses grandes astros do High School que nunca deram certo na NBA foi o primeiro deles a ser a primeira escolha do draft, Kwame Brown,  que sempre agüentou a humilhação a vida toda de ter tido essa honra mesmo sendo muito ruim.

Mas o Wolves começou essa moda draftando o Garnett, e ele chegou na Liga sem físico e um pouco cru demais pra jogar na NBA. Mas o Wolves teve paciência, cuidou do moleque, e se preocupou em desenvolver o garoto, física e tecnicamente. O Garnett evoluiu muito, virou uma estrela e o time começou a chegar regularmente aos playoffs. Mas o problema era que o time era muito ruim e, mesmo tendo no time um dos melhores alas de força de todos os tempos, não conseguia passar da primeira fase dos playoffs. Era o Garnett levando o time nas costas, dando show, mas o time mostrando suas limitações (claríssimas) quando chegava na parte mais pesada da temporada. Até que em 2004 o Wolves finalmente trouxe ajuda pro Garnett: Trouxe Latrell Sprewell (que quase enforcou o técnico PJ Carlesimo num treino certa vez) e o alien Sam Cassell, dois jogadores que eram capazes de pontuar regularmente e foi o único elenco de apoio decente que o Garnett teve em Minneapolis. O resultado foi que o time teve a melhor campanha no Oeste, Garnett foi MVP, o Wolves chegou na Final de Conferência e só perdeu no jogo 6 pro Lakers de Kobe, Shaq, Karl Malone e Gary Payton porque o Kareem Rush deu pra acertar bola de três atrás de bola de três naquela partida. Mas depois dessa excelente campanha, se preparando pra outra, o Wolves teve a brilhante idéia de trocar o Sam Cassell pelo Marko Jaric, e ai o time voltou a ser uma desgraça.

O problema foi que o Wolves caiu numa situação horrível na NBA. Era um time medíocre, incapaz de ganhar nada, mas que tinha um tremendo jogador que era capaz de ganhar jogos sozinhos, segurar as pontas e dar ao time uma campanha decente mesmo que não fosse capaz de sonhar com nada maior. O problema é que o time é ruim demais pra brigar por qualquer coisa mas não é tão ruim pra conseguir boas escolhas no draft (E quando conseguia o Wolves fazia besteira, tipo trocar o Brandon Roy em 2006) e mesmo quando o time começou a virar uma piada de mau gosto, tinha o Garnett lá, leal à franquia, desperdiçando seus melhores anos num time onde não ia ganhar nada. Por isso, adorei quando o Wolves, em 2007, trocou o Garnett pro Boston Celtics. Era a hora de recomeçar, jogar tudo no lixo e aceitar que a melhor saída pro time era trocar o seu melhor jogador, receber vários pirralhos e escolhas de draft, montar um time jovem e talentoso, deixar a pirralhada evoluir e ai voltar a competir. Tem que ter culhões pra fazer isso, muitas vezes a decisão foi criticada, mas eu achei acertada. Em troca de KG, o Wolves recebeu  as jovens promessas Al Jefferson, que tinha potencial pra ser uma grande estrela, Gerald Green, Sebastian Telfair, Ryan Gomes, o vovô Theo Ratliff e duas escolhas de primeira rodada. Com os jogadores que já tinham no elenco, como Randy Foye (trocado por Roy lá atrás) e as escolhas no draft, como Corey Brewer, o Wolves montou o time mais jovem da Liga que, apesar de um record muito fraco, mostrou potencial e parecia ter tudo pra evoluir num bom time, com vários candidatos a estrelas quando crescessem um pouco. E o Wolves se comprometeu com esse plano.

Depois de uma temporada de 2008 perdida quando o craque do time, Jefferson, rompeu o ligamento do joelho e perdeu metade da temporada, o time investiu pra 2009 novamente com a idéia de desenvolver a molecada na cabeça: Trouxe um técnico novo, Kurt Rambis, um técnico que era familiarizado com o esquema de triângulos, a famosa tática usada pelo Phil Jackson nos seus onze títulos em Chicago e LA, trocou jogadores do elenco pra acumular escolhas de primeira rodada pro draft de 2009 (Eram quatro) e deixou como plano colocar os moleques em quadra pra aprenderem na marra. Mas o negocio começou a dar errado quando, no draft, o Wolves novamente mostrou seu talento pra ser ruim: Dratou, com suas quatro escolhas de primeira rodada, três armadores puros e um shooting guard! Draftou a promessa espanhola Ricky Rubio, Jonny Flynn, Ty Lawson e Wayne Ellington, e trocou Lawson pro Nuggets. Pra piorar, Rubio preferiu não vir pra NBA ainda e passar mais dois anos na Espanha, deixando assim o Wolves sem o jogador que tinha sido draftado pra ser o líder da franquia e ficando só com o Flynn de armador vindo do draft. O que chega a ser bizarro, visto a enorme variedade de armadores bons disponíveis, o fato do Wolves, que tinha a quinta e a sexta escolha do draft, ter ficado com talvez o pior armador da primeira rodada, escolhido na frente de jogadores como Darren Collison, Stephen Curry, Brandon Jennings e até mesmo o próprio Lawson, que foi destruir todo mundo no Denver.

Os problemas não pararam por ai: O Rambis, embora soubesse o esquema de triângulos bem, nunca foi capaz de fazer ninguém entendê-lo por lá, os jogadores jovens do time demoraram muito pra evoluir, a vontade doentia do GM David Kahn de ter dois armadores em quadra o levou a dar um contrato enorme pro Ramon Sessions, e o time ainda não conseguiu encontrar uma maneira de usar eficientemente tanto o Al Jefferson como o talentoso Kevin Love em quadra ao mesmo tempo, fazendo eles comerem minutos um do outro e não deixando os dois crescerem juntos em paz. O Jefferson, alias, trouxe um novo problema pro Wolves. Virou bom demais rápido demais, um jogador capaz de participar de um candidato ao titulo, jogando num time que ainda tinha como plano ser ruim, ter boas escolhas no draft e deixar a molecada crescer. Ele se tornou um empecilho pra essa renovação, que alias deu errado desde o começo. Ninguém se entendia, o plano dos triângulos foi abandonado antes que alguém pudesse dizer 'Kevin Garnett', o Jefferson estava fora de lugar naquele time e a rotação era mais confusa do que a do Knicks.

Qual foi a saída pro Wolves? Jogar tudo no lixo de novo. Mandou o Jefferson pra um time bom que iria brigar por algo maior, ou seja, mandou o Jefferson pro Jazz em troca de bolachas recheadas, depois mandou o Ramon Sessions pro Cavaliers em troca do Sebastian Telfair (Bem vindo de volta!) e do Delonte West, que foi dispensado, entregou o time nas mãos da molecada e aceitou ser uma desgraça de novo enquanto acumulava mais escolhas altas no draft e esperava o Rubio vir da Europa. O Kahn também convenceu o Darko Milicic a não ir pra Europa pra ficar no time. Milicic é um eterno draft bust, escolhido na frente de Dwyane Wade, Carmelo Anthony e Chris Bosh no draft de 2003, e que sempre sofreu demais com a pressão vindo dessa escolha, mas é um jogador talentoso e que pode contribuir pra um time se for deixado em paz. O time também draftou o ala Wesley Johnson e, mais importante, se aproveitou da megalomania do Miami Heat e seu Big Three pra trazer o ex-segunda escolha do draft (Pro Milicic não se sentir sozinho) Michael Beasley. E, enfim, colocou o Love de titular.

O plano continuava claro: Ser ruim, não ter vergonha disso, colocar todos os garotos pra jogar e aprenderem na marra enquanto esperava as quinhentas escolhas futuras de primeira rodada que eles acumularam virarem alguma coisa junto das provavelmente altas escolhas do próprio Wolves. Dentro desse plano trocar Jefferson e Sessions até fazia sentido, embora eu não concordasse com o segundo: O Sessions não é um craque, mas é um bom armador, muito jovem ainda, sabe infiltrar, distribui bem o jogo e é inteligente, não faz o que não sabe, e que tem potencial pra ser muito bom. Seria um ótimo jogador pra cobrir o buraco que o Flynn deixou quando perdeu o começo da temporada pra fazer uma cirurgia, mas esse buraco acabou ficando pro Luke Ridnour. Pra piorar, trocaram o Sessions por nada de útil pro time, até porque o West foi mandado embora. Mas o Kahn sempre fez as coisas do jeito dele e montou um time que era a piada da Liga antes da temporada começar. Refugos como Milicic e Beasley e uma castanhada de garotos com potencial mas que ainda são jovens demais na Liga.

Portanto, não é surpresa quando olhamos pra tabela e vemos o Wolves com a segunda pior campanha do Oeste e a terceira pior de toda a NBA. O time soma 10 vitórias e 33 derrotas atualmente, e enfrentar o Wolves sempre é um bom sinal, geralmente indicando uma vitória. Mas quando a gente olha de perto, nem tudo está ruim para o Wolves. Claro que isso acontece, em parte, porque perder, ser ruim e ter boas escolhas no draft faz parte do plano do time, e portanto o Kahn  pode se orgulhar dessa parte estar indo de acordo com o plano. Mas o Wolves ta mostrando uma evolução que acho que nem eles mesmos esperavam antes da temporada.

Em primeiro lugar, claro, a gente repara no Kevin Love. De longe ele é o jogador do Wolves que mais chama a atenção. Quem viu ele jogar antes, mesmo com o Jefferson do lado, viu que ele um bom jogador: bom reboteiro, bom arremessador e muito inteligente. Mas agora a gente vê a verdade: Ele é ainda melhor! É um reboteiro impressionante, lidera a Liga com 15.6 rebotes por jogo (2,5 rebotes por jogo a mais que o Dwight em segundo), mas também se destaca muito no ataque: É um jogador completo, sabe jogar de costas pra cesta, consegue atacar a cesta com alguma regularidade, mas alem disso ele arremessa muito bem de todos os pontos da quadra, é excelente arremessando de três pontos e faz isso com muita naturalidade (Tem media de 44% em arremessos de três!). Não a toa, ele já teve mais jogos de 20 pontos e 20 rebotes do que todo o resto da Liga junto, inclusive um jogo de 31 pontos e 31 rebotes, o primeiro jogo de 30 rebotes desde Charles Barkley e o primeiro jogo de 30-30 desde Moses Malone! Alem disso, é um jogador muito inteligente com a bola, sabe passar bem, e sabe rodar bem a bola em campo. Não bastasse, ainda tem a maior seqüência ativa da NBA, com 29 double doubles consecutivos, e contando. Já é um jogador de destaque na Liga, tem tudo pra ganhar o premio de jogador que mais evoluiu e é um jogador que já chama a atenção de toda a Liga.

Depois o time viu os refugos jogarem muito bem. Darko Milicic, que ficou em Minneapolis com a promessa de ter um papel limitado em quadra, ou seja, defensivo, o que ele sabe fazer bem, está tendo talvez a melhor temporada da sua carreira, livre das pressões que o assolaram por toda a carreira, agora que ele joga num time que todo mundo fica surpreso é se ganhar e fizer algo certo. Não está sensacional, não como uma segunda escolha, mas ta tendo as melhores medias da carreira em pontos (9.4) e quarta melhor em rebotes (5.4), o que é bom quando a gente lembra que ele joga ao lado do Kevin Love, que pega todos os rebotes que aparecerem no jogo, até quando está no banco de reservas.  Mas mais que isso, Milicic está tendo a melhor marca da sua carreira em tocos, 2.4 por jogo, terceira melhor marca da NFL à frente de jogadores como Stoudamire e Dwight Howard, e atrás somente de JaVale McGee e Andrew Bogut, dois jogadores que jogam muito mais tempo por partida que o Milicic, que alias tem a melhor media de tocos por minuto da Liga. Tem se entendido bem também com o Ridnour, em uma variedade de cortes, pick and rolls e passes rápidos, dando mais opções ao time. E o Beasley finalmente deslanchou pra ser o pontuador que todo mundo esperava e tem a chance de reviver sua carreira. Em Miami ele nunca foi um grande jogador, diziam que ele não era muito motivado porque não tinha tantas oportunidades ofensivas com o Wade recebendo atenção por lá e ficava mofando no banco porque não defendia nada no esquema ultra defensivo daquele Heat. Mas no Wolves ele tem jogadas desenhadas pra ele e farol verde pra arremessar. Com isso ele subiu a sua media de pontos de 14.8 pra 20.6, melhorou seu aproveitamento nos arremessos e uma melhora assustadora nas bolas de três pontos (27% pra 43%), alem de ser um jogador que tem chamado o jogo quando precisa, inclusive nos momentos decisivos. Também está tendo um numero bom de rebotes pra quem joga ao lado do Love, 5.7. Tudo bem, ainda não defende muita coisa e as vezes é um pouco fominha, tem que ter os toques na bola controlados, mas já está tendo um papel muito mais participativo em quadra e é um jogador que começa a lembrar as previsões que faziam pra ele antes do draft. Ah, ele também finalmente está jogando de ala, não de ala de força como acontecia no Heat, e pra mim a ala é onde ele rende mais, pode usar seu bom jogo de meia distancia e tem mais espaço pra infiltrar na trombada.

O Wolves é um time bom? Claro que não. O time não tem nada que lembre vagamente um banco de reservas (Só tem o Corey Brewer no banco, e olhe lá) e o time ainda não faz nada no ataque que faça a gente pensar num esquema de triângulos, parece mais umas elipses tortas, o que parece que o plano de usar o esquema do Lakers por lá vai por água abaixo. Mas o time tem rendido mais na velocidade, tem aproveitado melhor seus jogadores e assim os jogadores tem mais espaço pra jogar o que sabem. Se a idéia é deixar eles aprenderem na marra, talvez seja até melhor assim. Agora o Kahn vai sonhar com o Rubio vindo da Europa em 2012, mas ninguém sabe como vai ser o moleque na NBA, é uma aposta e que pode dar muito certo e muito errado. O time também ainda tem jogadores muito  instáveis como o próprio Wes Johnson, que num jogo enterra na cabeça de todo mundo e manda muito e no outro parece que desaparece em quadra. Mas o Wolves, pela primeira vez em muito tempo, parece realmente estar levando a sério sua reconstrução. Está vendo seus jogadores jovens desenvolvendo seu jogo, aparecendo e ganhando espaço na Liga. Está deixando esses jogadores em quadra, tem um jogador que tem tudo pra evoluir numa grande estrela (Love), jogadores que podem evoluir nos bons coadjuvantes (Beasley, Johnson) e até uma aposta pra liderar o time que, se der certo, pode colocar ordem num time ainda bagunçado e com um técnico fraco (Rubio).

O processo só não pode parar por aqui, tem que continuar aceitando a derrota, torcer pros jogadores aceitarem o plano e não começarem a querer sair logo do time pra algum time que briga por algo vencedor como foi com o Jefferson, continuar draftado (de preferência draftando bem!) e dando minutos pros jogadores jovens poderem crescer na marra. Quando a molecada amadurecer, evoluir seu jogo e estiver pronta pra jogar a sério e competir em alto nível, o time tem que começar a correr atrás de jogadores experientes que possam cobrir os buracos e fazer a parte suja do jogo, como por exemplo o James Posey fazia naquele Boston campeão de 2008, entrando pra marcar o Kobe nos momentos importantes do jogo. Esse, pelo menos, deve ser o projeto do Wolves a médio prazo. Se fosse fácil, todo mundo já teria feito , é claro. Não é fácil, exige paciência e culhões pra aceitar ser essa desgraça enquanto monta um time que só vai ganhar em alguns anos, e o Wolves já tentou isso duas vezes nos últimos três anos sem dar resultado até agora. Mas, se o Love continuar evoluindo o jogo como está, ele pode ser o pilar de uma Franquia, melhor do que o Jefferson poderia ser. E todas as grandes franquias atuais gravitam em torno de jogadores assim, que estão no time desde o começo - Dirk Nowitzky, Dwyane Wade, Paul Pierce, Tim Duncan, Kobe, Derrick Rose. O medo do Wolves é só que o Love resolva, antes deles estarem prontos, que quer sair de uma franquia que ainda vai demorar um pouco pra brigar por algo de verdade pra uma que já tem essa condição. Se o Love tiver a paciência que o Wolves vem tendo, talvez a gente possa ver esse time do Wolves de volta aos playoffs em alguns anos. E, quem sabe, com essa reconstrução finalmente
terminada.